Afinal, o que aconteceu com a nota de R$200 no Brasil?

Avatar for Mayara MarquesMayara MarquesCuriosidadesfevereiro 20, 2024

Você se lembra da nota de R$200? Muitos sequer acreditam que ela realmente exista, visto que sua circulação foi reduzida e, em muitos lugares, é inexistente.

Lançada durante a pandemia, pouco antes do Pix, a cédula mais alta do real brasileiro está próxima de seu terceiro aniversário. Contudo, sua jornada foi curta, e sua popularidade não cresceu muito.

Desde o início, essa nota, que apresenta o lobo-guará como animal, tem sido alvo de controvérsias. Enfrentando desafios legais, é a menos utilizada no país, o que levanta questões sobre acessibilidade e seu destino futuro.

Polêmicas na justiça

Desde 2020, a nota de R$200 tem sido alvo de uma ação civil pública movida pela Organização Nacional de Cegos do Brasil.

A crítica central gira em torno do tamanho da cédula, que é idêntico ao da nota de R$20, dificultando a diferenciação tátil para pessoas com deficiência visual.

A Defensoria Pública da União foi chamada para intervir e inicialmente solicitou um recall das notas. Entretanto, o impasse persiste sem uma resolução clara até o momento.

O centro do problema ainda está no formato padrão adotado pelo Banco Central, que priorizou a eficiência de produção em detrimento da acessibilidade.

Via Banco Central

Produção inferior

Passada essa polêmica optou-se por manter o mesmo tamanho físico da nota de R$20 como uma medida para não interromper a linha de produção das cédulas de R$100.

Naquela ocasião, a máquina utilizada para fabricar as notas de R$100 não suportava os elementos de segurança necessários para a nota de R$200. A solução foi empregar as máquinas destinadas às cédulas de R$20.

O Banco Central argumenta que a marca tátil, composta por três linhas inclinadas, possibilita a identificação por pessoas com deficiência visual. No entanto, a Defensoria Pública adverte que, devido ao desgaste do relevo, a nota pode se tornar indistinguível para aqueles com deficiência visual grave.

Circulação reduzida

A nota de R$200 representa apenas 28,4% das cédulas produzidas, totalizando 128,1 milhões de unidades. Seu valor de R$25,6 bilhões constitui apenas 8% do dinheiro em espécie em circulação no país.

Apesar de sua baixa representatividade, o Banco Central afirma que o ritmo de utilização está de acordo com o esperado.

Quando foi lançada, o então ministro da Economia, Paulo Guedes, previu uma “carreira curta” para a nota de R$200. No entanto, ela continua em circulação e é frequentemente alvo de falsificações.

Falsificação da nota de R$200

Via InfoMoney

De maneira surpreendente, a nota de R$200 se tornou uma das preferidas pelos falsificadores, ficando logo atrás da nota de R$100.

Até abril deste ano, a polícia apreendeu 13.609 cédulas falsas, totalizando R$2,721 milhões. O motivo é compreensível, visto que é a nota de maior valor comercial. Ou seja, a falsificação leva menos tempo, menos recursos e traria um maior retorno.

No entanto, a nota de R$200 também trouxe consigo mais formas de identificação, justamente pelos crimes e intenções maliciosas. Por isso, a recepção foi mais fácil que outras notas no comércio.

Caso o consumidor identifique o recebimento de uma nota falsa, deve procurar uma instituição financeira vinculada ao Banco Central imediatamente. Dessa forma, terá menos chances de perder o valor por motivos ilegais.

Mesmo com todos os desafios enfrentados, o órgão responsável planeja manter a emissão dessa nota nos próximos anos.

O futuro da nota de R$200 permanece incerto, aguardando o desenrolar da ação judicial e do progresso no uso da cédula. Enquanto isso, ela continua em circulação, sujeita a críticas, desafios judiciais e à desconfiança por parte dos brasileiros.

O conflito entre a eficiência de produção e a acessibilidade lança dúvidas sobre o destino dessa nota menos acessível para o público comum. Contudo, sua praticidade, segurança para pagamentos e popularidade são indícios positivos para a continuidade na emissão.

 

Fonte: Capitalist

Imagens: Banco Central, InfoMoney

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