
Por vários anos, os humanos sonham em viver no espaço. E graças ao lançamento de uma estação espacial, as pessoas começaram a entendê-lo. O mais incrível é que essa ideia não passava de pura ficção científica, décadas atrás. Contudo, algumas coisas são necessárias para que um ser humano consiga sobreviver fora da Terra. Ainda assim, o ambiente não é dos mais convidativos para os humanos. Tanto que foi descoberto que somente um mês no espaço é o suficiente para que o tecido cardíaco envelheça.
Para descobrir isso, Jonathan Tsui, cientista biomédico, deu ao Centro Espacial Kennedy da NASA pequenas câmaras compactas com 48 fragmentos de tecido cardíaco humano. Eles então foram colocados em uma nave da SpaceX e mandados para a Estação Espacial Internacional por um mês. O objetivo era estudar os efeitos das condições de baixa gravidade no coração humano, para uma preparação para as viagens espaciais longas.
“Com os planos atuais para missões tripuladas a Marte e além, a necessidade de compreender melhor, prevenir e neutralizar os efeitos nocivos dos voos espaciais de longa duração no corpo é cada vez mais importante”, escreveram os pesquisadores.

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Há muito tempo é sabido que as condições com baixa ou nenhuma gravidade tem efeitos no corpo humano. Como por exemplo, atrofia muscular, perda óssea, diminuição da função cardíaca e batimentos cardíacos irregulares.
A maior parte dessas condições são solucionadas com o passar de tempo depois que os astronautas voltam para a Terra, mas nem todas. Então, para entender melhor os problemas de saúde causados no espaço, os cientistas quiseram estudá-los a um nível molecular.
Para isso, eles usaram células-tronco pluripotentes induzidas por humanos que poderiam virar células do músculo cardíaco humano. Depois disso, os pesquisadores conectaram as amostras, cada uma entre um par de pilares. Desses, um dos pilares de tecido era rígido e o outro flexível, o que dava ao tecido a capacidade de se contrair como um coração quando está batendo.
Esse sistema é chamado de coração em um chip. Ele foi colocado em um recipiente que imitava a câmara de um coração humano adulto. Enquanto estava na ISS, a astronauta Jessica U. Meir cuidou dos tecidos, trocando mensalmente os nutrientes líquidos.
Conforme os tecidos cardíacos iam se contraindo na ISS, os pesquisadores que estavam na Terra recebiam os dados em tempo real. Com isso, eles fizeram a comparação dos números que receberam com as medições de um conjunto de amostras idênticas na Terra. E quando o coração voltou da ISS, os pesquisadores continuaram a fazer análises e tiveram resultados bem surpreendentes.

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Como resultado, eles viram que existem uma relação entre a estadia no espaço e o tecido cardíaco. Tanto que os tecidos do coração cresceram e bateram com metade da força das amostras da Terra, e o período entre os batimentos cardíacos foi cinco vezes mais longo.
Quando acontece um batimento cardíaco irregular, chamado de arritmia, isso pode causar insuficiência cardíaca. No entanto, depois de voltarem para o nosso planeta, as contrações dos tecidos voltaram a sua cadência normal.
O estudo ainda está sendo feito e essa relação entre o espaço e o tecido cardíaco, no caso, o impacto que a baixa gravidade tem no tecido cardíaco é semelhante ao da idade avançada, pode ajudar no tratamento de problemas cardíacos associados ao envelhecimento.
Fonte: Meteored
Imagens: Meteored






