Ciência e Tecnologia

Arábia Saudita gasta 1 bilhão de dólares por ano em pesquisas para deter o envelhecimento

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Não é segredo que o ser humano deseja viver mais que o organismo permite. Embora a qualidade de vida tenha melhorado e as pessoas estejam vivendo mais, algumas décadas parecem não ser suficiente para aqueles que têm milhões em suas contas bancárias. Dessa forma, até a família real saudita criou uma entidade sem fins lucrativos para pesquisar como retardar o envelhecimento.

Eles não são os únicos que querem viver mais. Isso porque bilionários do Vale do Silício, como Jeff Bezos e Larry Ellison já despejaram uma pequena parcela de suas fortunas, o que significa alguns milhões, para financiar estudos sobre deter o envelhecimento. Assim, no caso da família real da Arábia Saudita, a entidade chamada Fundação Hevolution possui um orçamento de 1 bilhão de dólares anuais para pesquisas voltadas para aumentar a expectativa de vida saudável do ser humano.

O jornalista Antonio Regalado, em reportagem da revista MIT Technology Review, explicou que o fundo saudita será administrado pelo endocrinologista Mehmood Khan, que já trabalhou na Mayo Clinic. Além dos financiamentos para pesquisa, a organização pode comprar participação acionária em empresas de biotecnologia.

A proposta é de que é possível desacelerar o envelhecimento do organismo, o que retarda o surgimento de doenças e garante uma velhice mais saudável e mais longa. Porém, a Fundação Hevolution ainda não anunciou quais projetos apoiará. Ainda assim, acredita-se que o primeiro será uma pesquisa com a droga metformina, usada no tratamento de diabetes.

Velhice turbulenta

Mark Timberlake/Unsplash.com

O médico Nir Barzilai, diretor do Centro de Pesquisa sobre o Envelhecimento do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, estuda centenários e como seus genes os protegem contra problemas cardiovasculares, diabetes e Alzheimer.

Dessa forma, ele aponta que “o pior cenário é a longevidade com um longo período de moléstias. Temos que conseguir viver mais com menos anos de enfermidades. A metformina é barata e utilizada há décadas. Atua em todos os marcadores do envelhecimento, aumentando a proteção contra doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e câncer”.

O pesquisador, que já tentou executar uma pesquisa batizado como TAME (Targeting Aging with Metformin, que traduz para Envelhecimento na mira com a metformina), pode ser um dos beneficiados pela fundação saudita. Apesar de ser um antigo defensor da droga, há outros que seguem a mesma linha.

Uma pesquisa feita na Grã-Bretanha mostrou que pacientes diabéticos estavam vivendo além do previsto, superando até indivíduos saudáveis.

Arábia Saudita investe no envelhecimento tardio

O governo da Arábia Saudita pode estar interessada nessas pesquisas, considerando o envelhecimento da população do próprio país. Isso porque incorporaram os hábitos ocidentais, mas não são adeptos ao exercício físico, sendo que as taxas de obesidade já estão alarmantes.

Outra motivação poderia ser melhorar a reputação do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. Isso porque ele teria sido o responsável pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, do jornal “The Washington Post”, em 2018.

Além disso, recentemente, a família real batizou um plano para diversificar a economia como Vision 2030. Nesse plano, o governo visa até converter uma das plataformas de petróleo em um parque de diversões habilitado para a prática de esportes radicais, com restaurantes e tudo de mais luxuoso.

Mas o objetivo verdadeiro é atrair investidores de países ocidentais a levar capital para o país. Portanto, o governo espera que o turismo seja a maior fonte de novos postos de trabalho no setor privado, representando 10% do Produto Interno Bruto.

Isso num contexto pós-petróleo, visto que o mundo trabalha para ter uma menor dependência no recurso natural nas próximas décadas. Então, podemos presumir que os estudos no setor do envelhecimento podem atrair turistas do mundo todo. E eles estarão dispostos a desembolsar quantidades chocantes de dinheiro na Arábia Saudita.

Fonte: G1

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