Como é fabricado um iPhone na China? Conheça o lado obscuro do iPhone 6!

POR Thamyris Fernandes    EM Ciência e Tecnologia      21/12/14 às 20h12

A BBC exibiu um programa na última quinta-feira que está causando uma polêmica terrível no mundo inteiro. A reportagem diz que a Apple "Quebrou as promessas" e mostrou as condições degradantes às quais os funcionários da fábrica em Pegatron em Xangai são submetidos para a produção do iPhone 6. São longas jornadas de trabalho e ausência total de descanso semanal.

Em outro local, uma mina de estanho na Indonésia, os jornalistas flagraram crianças trabalhando. Em e-mail assinado por Jeff Williams, vice-presidente global de operações, a empresa mais valiosa do mundo rebateu as acusações e se disse "profundamente ofendida".

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Os repórteres da BBC conseguiram se infiltrar como funcionários da fábrica e mostraram turnos exaustivos de 12 horas diárias de trabalho, alguns dias chegando a 16 horas, sem que os trabalhadores pudessem optar por não cumprir as horas extras. Um dos jornalistas foi obrigado a trabalhar por 18 dias seguidos, sem direito a folga.

— Mesmo que estivesse com fome, eu não conseguia me levantar para comer. Só queria deitar e descansar — relatou o repórter.

E na hora de dormir mas uma vez surpresa. Em um quarto minúsculo, 12 trabalhadores tentam conseguir espaço para descansar. Nas imagens é possível ver vários trabalhadores dormindo, esgotados, na linha de montagem. E então, um supervisor avisa sobre o risco de morrer eletrocutado pelos equipamentos.

Em e-mail enviado a 5 mil funcionários no Reino Unido e publicado pelo jornal "Telegraph", a Apple acusa a emissora de ter omitido o posicionamento da empresa.

"Eu gostaria de mostrar fatos e outra perspectiva, que nós compartilhamos com a BBC com antecedência, mas que ficaram claramente ausentes do programa" afirmou Williams.

A BBC afirma que a Apple se negou a conceder entrevista para o programa quando solicitada.

Segundo o executivo, a "reportagem do Panorama supõe que a Apple não está melhorando as condições de trabalho". "Deixe-me dizer uma coisa, nada está tão distante da verdade". Williams afirma que há poucos anos, trabalhadores excediam as 60 horas semanais, sendo que mais de 70 horas era algo comum. Agora, a companhia rastreia os horários de mais de um milhão de trabalhadores e os fornecedores alcançaram índice de 93% de conformidade com o limite de 60 horas.

"Nós ainda podemos melhorar. E o faremos", disse Williams.

A empresa diz manter 1,4 mil funcionários próprios na China gerenciando e supervisionando as operações dos fornecedores. Este ano, foram realizadas 630 auditorias na cadeia produtiva da Apple, com entrevistas a funcionários.

"A realidade é que nós encontramos violações em todas as auditorias que fizemos, não importa o quão sofisticada é a companhia. Nós encontramos problemas e implementamos melhorias", afirmou o executivo.

A equipe da BBC também visitou as minas de extração de estanho na Indonésia e flagraram crianças trabalhando em situações de altíssimo risco. Um garoto de apenas 12 anos chamado Rialto, trabalhava ao lado do pai dentro de uma cratera de 20 metros de profundidade:

— Eu tenho medo com os deslizamentos de terra. Isso pode acontecer — disse o menino à reportagem.

A Apple confirma as condições precárias entre os mineiros na Indonésia, mas justifica o uso do estanho lá explorado em seus produtos dizendo que está organizando os trabalhadores para melhorar suas condições:

"A Apple tem duas opções: nós poderíamos comprar estanho de fundições fora da Indonésia, o que provavelmente seria a medida mais fácil e nos protegeria das críticas. Mas seria o caminho preguiçoso e covarde, porque não faríamos nada para melhorar a situação para os trabalhadores indonésios, já que a Apple consome apenas uma pequena fração do estanho lá explorado. Nós escolhemos o segundo caminho, que é ficar e tentar conduzir uma solução coletiva".

Thamyris Fernandes
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL

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