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Casos de dengue em Niterói caem 70% graças a mosquitos modificados

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A dengue é um dos principais problemas de saúde pública do mundo. A doença febril aguda é causada por um vírus e seu principal vetor de transmissão é o famoso mosquito Aedes aegypti. A doença tem quatro tipos porque o transmissor dela tem quatro sorotipos diferentes. São eles: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Em nosso país, já foram encontrados todos esses tipos de dengue. E engana-se quem pensa que desde seu surgimento a doença ficou sob controle no Brasil.

Justamente por isso que o combate à dengue nunca deixou de ser uma preocupação no nosso país. Nesse ponto, agora tivemos uma boa notícia. Graças a mosquitos modificados em laboratório, o número de casos de dengue, zika e chikungunya em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, caiu em até 70%.

A cidade foi um dos lugares onde a Fiocruz soltou Aedes aegypti com a wolbachia, uma bactéria que bloqueia a transmissão do vírus de todas essas doenças transmitidas pelo mosquito. Isso foi feito há seis anos.

Queda

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Os primeiros mosquitos modificados foram soltos no bairro de Jurujuba. Depois de alguns meses, eles começaram a se reproduzirem de forma natural. Com isso, os mosquitos modificados hoje estão em 75% do município.

Por conta disso, a queda do número de casos foi vista nas três doenças que o Aedes aegypti transmite. Foi uma queda de 70% nos casos de dengue, 60% em chikungunya e 40% em zika.

Segundo Luciano Moreira, pesquisador da Fiocruz, os dados que eles observaram em Niterói são bem parecidos com os vistos na Indonésia, país que também é parte do “World Mosquito Project”, cuja rede está em 11 países.

“Esses dados são interessantes e corroboram com os da Indonésia. Lá tivemos 77% menos dengue nas áreas que receberam o programa”, disse ele.

Mosquitos

BBC

A diminuição nos casos de dengue foi vista a partir da modificação de mosquitos. Para que ela aconteça, os pesquisadores injetam a wolbachia nos ovos do mosquito. Fazendo isso, a bactéria impede que os mosquitos transmitam doenças para os seres humanos. O melhor é que ela não faz nenhum mal ao meio ambiente. Os primeiros ovos modificados foram importados da Austrália, com autorização do Ibama.

Além disso, os pesquisadores descobriram que os filhotes das fêmeas que têm a bactéria a herdam. Outra descoberta foi a de que o ciclo de reprodução do mosquito é interrompido no cruzamento de um macho com a wolbachia com uma fêmea sem a bactéria.

“Essa é a grande vantagem do método. Depois de liberar os mosquitos, a gente não faz mais nada. O Aedes com a Wolbachia continua protegendo a população”, disse Luciano.

Crescimento

Uniprag

Embora os resultados obtidos sejam promissores, essa estratégia do uso de mosquitos modificados em laboratório ainda é bem pontual e não está sendo usada em grande escala.

Com isso, a dengue está voltando e tendo um crescimento de casos. Para se ter uma ideia, nos quatro primeiros meses do ano, o RJ registrou aumento de 115% em comparação com o mesmo período do ano passado.

“O método wolbachia é complementar. A gente sempre diz à população que as pessoas precisam continuar fazendo seu dever de casa, que é reduzir criadouros, conversar com seus vizinhos para que as pessoas diminuam a população de mosquitos”, explicou Luciano.

Segundo o pesquisador da Fiocruz, algumas das medidas preventivas que podem ser feitas pela população em geral é eliminar os locais com água parada, usar roupas que cubram a maior parte do corpo, principalmente no começo da manhã e no final da tarde, e usar repelentes.

Um ponto para ficar atento são as formas da doença, visto que a dengue também pode se manifestar no organismo das pessoas contaminadas de três maneiras.

Dengue Clássica: A dengue clássica é a forma mais leve da doença e muitas vezes é confundida com a gripe. Os sintomas são febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, entre outros. A dengue clássica pode durar de 5 a 7 dias.

Dengue hemorrágica: A dengue hemorrágica acontece quando a pessoa infectada com dengue tem a sua coagulação sanguínea alterada. Se a doença não for tratada rápido, ela pode levar à morte.

A dengue hemorrágica costuma ser mais comum quando a pessoa é infectada pela segunda ou terceira vez. No início, os sintomas são parecidos com os da dengue clássica, mas após o terceiro ou quarto dia surgem hemorragias. Além disso, ocorre uma queda na pressão arterial, podendo gerar tonturas e quedas.

Síndrome de choque de dengue: A síndrome de choque da dengue é a complicação mais séria da dengue. Se trata de uma grande queda ou ausência de pressão arterial, acompanhada de inquietação, palidez e perda de consciência. Uma pessoa que sofreu choque por conta da dengue pode ter várias complicações neurológicas e cardiorrespiratórias, além de insuficiência do fígado e hemorragia digestiva. A síndrome de choque da dengue não tratada pode levar à morte.

Fonte: G1

Imagens: Indice, BBC, Uniprag

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