Ciência e Tecnologia

Chip cerebral permite que paciente com ELA se comunique e peça comida

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Em um feito inédito, um homem de 34 anos, que ficou paralisado em decorrência da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), conseguiu se comunicar novamente com auxílio de um implante cerebral. O implante, que representa um incrível avanço tecnológico e medicinal, foi capaz de captar o homem imaginando o movimento de seus olhos e traduzir isso para o mundo exterior.

De acordo com os pesquisadores da Universidade de Tübingen, na Alemanha, esta é uma conquista muito muito importante para a neurociência, já que pode dar uma esperança para que pessoas com ELA possam se comunicar novamente. O estudo foi liderado pelo engenheiro biomédico Ujwal Chaudhary.

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Mesmo que o implante cerebral ainda não tenha sido testado em larga escala, os pesquisadores perceberam que o apetrecho não é uma solução perfeita para todos os pacientes com ELA ou com questões parecidas. De acordo com a equipe de Chaudhary, ainda é necessário muito trabalho adicional para que o implante seja produzido e utilizado em diversos pacientes.

O implante cerebral

Para que o implante entendesse que o paciente de 34 anos desejava comer, o chip teve que ser implantado na cabeça do rapaz. Escrevendo letra por letra, o homem paralisado pela ELA pediu curry com batata, bolonhesa e sopa de batatas para comer.

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Apesar do novo implante cerebral para pacientes com ELA, os principais autores do estudo, Ujwal Chaudhary e Niels Birbaumer têm um histórico bastante questionável em suas carreiras como neurocientistas. Os dois já tiveram um estudo retirado por problemas com análises e declarações falsas.

“Este trabalho, como outros trabalhos de Birbaumer, deve ser visto com uma enorme montanha de sal, dada a sua história”, disse Brendan Allison, pesquisador da Universidade da Califórnia em San Diego, ao The New York Times. Além disso, a solução foi feita sob medida para o paciente em questão.

De acordo com Allison, isso significa que não se sabe se este modelo de implante cerebral poderá ser replicado para outros pacientes com ELA. Além disso, não é possível dizer por quanto tempo o paciente poderá usar o sistema, já que ao longo de três anos as respostas foram se tornando mais lentas.

O que é a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)?

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é provocada pela degeneração progressiva no primeiro neurônio motor superior no cérebro e no segundo neurônio motor inferior na medula espinhal. Esses neurônios são células nervosas especializadas que, ao perderem a capacidade de transmitir os impulsos nervosos, dão origem à doença.

Não se conhece a causa específica para a ELA. De acordo com o que os estudos realizados até hoje indicam, a utilização excessiva da musculatura favorece o mecanismo de degeneração da via motora, por isso os atletas representam a população de maior risco.

Outra causa provável é que dieta rica em glutamato seja responsável pelo aparecimento da doença em pessoas predispostas. Isso aconteceu com os chamorros, habitantes da ilha de Guam no Pacífico, onde o número de casos é 100 vezes maior do que no resto do mundo.

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Estudos recentes, realizados em ratos, indicam que a ausência de uma proteína chamada parvalbumina pode estar relacionada com a falência celular característica da ELA, uma doença relativamente rara que acomete mais os homens do que as mulheres. Anualmente, são registrados um ou dois casos em cada cem mil pessoas em todo o mundo.

O principal sintoma da doença é a fraqueza muscular, acompanhada de endurecimento dos músculos (esclerose), inicialmente em um dos lados do corpo (lateral) e atrofia muscular (amiotrófica). São exatamente esses sintomas que dão nome à doença.

No entanto, alguns outros sintomas podem ser citados para o surgimento da condição: cãibras, tremor muscular, reflexos vivos, espasmos e perda da sensibilidade. O tratamento é multidisciplinar sob a supervisão de um médico e requer acompanhamento de fonoaudiólogos, fisioterapeutas e nutricionistas.

Antes do desenvolvimento do implante cerebral, a pesquisa com os chamorros serviu de base para o desenvolvimento de uma droga que inibe a ação tóxica do glutamato, mas não impede a evolução da doença. Os experimentos em curso com animais apontam a terapia gênica como forma não só de retardar a evolução, mas também apresenta a possibilidade de reverter o quadro.

Fontes: Olhar Digital e Portal Drauzio Varella

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