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Vírus da “doença do beijo” pode ser causador da esclerose múltipla

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Um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, indicou que o vírus Epstein-Barr comum (EBV, na sigla em inglês) pode desencadear a esclerose múltipla. Os efeitos do EBV são amplamente conhecidos por ele ser o causador da Mononucleose infecciosa, conhecida como “doença do beijo”, já que o vírus é transmitido justamente pela saliva.

Agora, o estudo realizado em Harvard indica que os danos causados pelo EBV podem ser maiores do que uma simples infecção. A pesquisa, publicada na revista Science, foi realizada com mais de 10 milhões de militares dos Estados Unidos. Os resultados mostraram que praticamente todos os casos de esclerose múltipla são precedidos por uma infecção pelo vírus.

O que é esclerose múltipla?

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica do sistema nervoso central em que o sistema imunológico ataca as bainhas de mielina (capas de tecido adiposo), que protegem os neurônios do cérebro e da medula espinhal. Quando esta cobertura é danificada, os impulsos nervosos diminuem ou param.

No início da doença, os sintomas podem ser leves e a pessoa pode sentir pequenas turvações da visão ou pequenas alterações no controle da urina. Com a evolução do quadro, aparecem sintomas mais agressivos, representados por fraqueza, entorpecimento ou formigamento nas pernas e mãos ou de um lado do corpo, diplopia (visão dupla) ou perda visual prolongada, desequilíbrio e tremor.

esclerose múltipla

Aflorem

Em geral, a doença acomete pessoas jovens, entre 20 e 30 anos, e provoca dificuldades motoras e sensitivas. Cerca de 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a esclerose múltipla. As mulheres representam o maior índice de acometimento entre as pessoas afetadas.

Até o presente momento, o fator que causa a esclerose múltipla é desconhecido. No entanto, o estudo conduzido em Harvard apresenta uma forte relação entre a contaminação pelo vírus EBV e o posterior desenvolvimento da doença.

O estudo

A dificuldade em estabelecer uma relação causal entre o vírus Epstein-Barr e a doença aqui abordada é que esse vírus infecta aproximadamente 95% da população. A esclerose múltipla, por outro lado, é relativamente rara, e os sintomas aparecem cerca de dez anos após a infecção pelo vírus Epstein-Barr, segundo a pesquisa de Harvard.

Para determinar a conexão entre o vírus e a esclerose múltipla, os pesquisadores analisaram amostras coletadas a cada dois anos. Isso foi possível porque o estudo durou longos vinte anos. Os resultados mostraram que os níveis de um biomarcador de degeneração nervosa típica da esclerose múltipla só aumentaram após a infecção pelo EBV.

O risco de esclerose múltipla aumentou 32 vezes após a infecção pelo EBV, mas não mudou após a infecção por outros vírus. Ou seja, os parâmetros são favoráveis para que se comprove a estreita relação entre a contaminação pelo vírus e o desenvolvimento da esclerose múltipla.

“Nosso grupo e outros investigam a hipótese de que o EBV causa esclerose múltipla há anos, mas este é o primeiro estudo a fornecer evidências convincentes de causalidade”, explicou o pesquisador italiano Alberto Ascherio, que é professor de Epidemiologia e Nutrição de Harvard e principal autor da pesquisa.

“Este é um grande passo que sugere que a maioria dos casos de esclerose múltipla pode ser prevenida com a interrupção da infecção pelo EBV e que pode levar à descoberta de uma cura para a esclerose múltipla”, completou o pesquisador.

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