
Você já ouviu aquela frase de que existem mais estrelas no céu do que grãos de areia na Terra? Pois bem, não é exagero. Só que transformar essa imensidão em dados compreensíveis é uma missão quase impossível para qualquer ser humano. Por isso, cientistas recorrem a computadores capazes de simular as dinâmicas do universo em escalas inimagináveis.
O problema é que esses modelos costumam exigir supermáquinas caríssimas e meses de processamento. Mas uma nova pesquisa promete mudar esse jogo.
Uma equipe internacional de pesquisadores desenvolveu um emulador chamado Effort.jl, que consegue rodar previsões cosmológicas complexas em um simples notebook. Sim, você não leu errado: nada de centros de dados gigantes, apenas um computador comum.
Segundo o estudo publicado na Journal of Cosmology and Astroparticle Physics (JCAP), o emulador alcança a mesma precisão de modelos consagrados, como a Teoria de Campo Efetiva da Estrutura em Grande Escala (EFTofLSS). E faz isso em questão de minutos.
O truque está no uso de redes neurais que “aprendem” com modelos tradicionais e reproduzem seus padrões de forma acelerada. Não é que o programa entenda a física do universo, mas ele reconhece combinações de dados bem o suficiente para gerar previsões compatíveis. Em outras palavras, ele copia, mas de forma mais eficiente.
O pesquisador Marco Bonici, da Universidade de Waterloo, compara o processo a estudar um copo da água. Em teoria, é possível analisar cada molécula, mas calcular todos os movimentos de forma detalhada é impraticável. O emulador entra aí: simplifica os cálculos, mas entrega respostas confiáveis.
Embora existam vários emuladores no campo da cosmologia, o Effort.jl tem um diferencial. Ele considera as variações nos parâmetros astronômicos desde o início do treinamento, o que o torna mais eficiente. Isso significa que aprende com menos exemplos e ainda exige menos poder de processamento.
Nos testes, o desempenho foi surpreendente. O programa conseguiu fornecer previsões com a mesma exatidão dos modelos teóricos tradicionais, mas em tempo recorde e em máquinas muito mais simples.
O telescópio espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia, já está coletando uma quantidade gigantesca de dados para mapear a estrutura do universo. Para processar esse volume, seriam necessários supercomputadores inteiros. Com soluções como o Effort.jl, parte desse trabalho pode ser acelerada e democratizada, permitindo que mais pesquisadores ao redor do mundo façam ciência de ponta sem depender de infraestrutura bilionária.






