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Cientistas homenageiam aluno morto dando nome a nova espécie

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Há sete anos, o estudante de biologia Alex Schomaker Bastos foi morto em uma tentativa de assalto em frente ao campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Agora, ele foi homenageado, tendo seu nome colocado em uma nova espécie de vagalume que foi descoberta no estado.

“Eu tive a ideia de colocar como Amydetes alexi em homenagem ao meu amigo Alex, por tudo o que tinha passado, pela nossa história juntos e tudo mais”, contou Stephanie Vaz, doutoranda em Ecologia da UFRJ.

A doutoranda foi convidada por Lucas Campello, mestrando em Biodiversidade e Biologia Evolutiva da UFRJ, para participar do trabalho que descobriu e deu o nome a essa nova espécie.

Nome

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Em janeiro de 2015, o estudante de 23 anos estava saindo do campus à noite quando foi abordado por criminosos perto de um ponto de ônibus. Esse lugar já tinha sido denunciado por alunos por conta da sua falta de iluminação e de segurança.

“É simbólico. Meu filho morrer no escuro e virar um vagalume, que é luz. Talvez tenha um simbolismo, querendo me avisar alguma coisa. É muito difícil transformar em palavras o orgulho e a saudade enorme que eu sinto dele”, afirmou Mausy Schomaker, mãe de Alex, sobre a homenagem.

A mãe de Alex acompanhou todo o processo de reconhecimento e a homenagem ao seu filho. Em entrevista, ela disse que os amigos e colegas de Alex acabaram virando seus amigos de muitos anos.

Espécie

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A espécie que ganhou o nome do estudante é parte do grupo de três vagalumes estudados pelo grupo. Ela foi coletada no Parque Estadual da Pedra Branca. “A descoberta foi feita por um autor que também está no artigo chamado André Diniz. Ele é guarda do Parque da Pedra Branca. Ele coletou o material e, quando chegou às nossas mãos, identificamos que era uma espécie nova”, disse Stephanie.

Assim como Stephanie, Lucas e os outros autores do estudo, André também é ligado à UFRJ.

De acordo com Lucas, esse inseto descoberto tem características próprias. Por mais que o vagalume Amydetes alexi brilhe à noite, ele é mais ativo durante o dia. “O maior período de atividade dele, que a gente observa em campo, é durante o dia. Então, apesar dele brilhar de noite e, também está ativo de noite, a gente encontra com muito mais facilidade, tendo muito mais atividade durante o dia”, explicou Lucas.

Além disso, ele também ressaltou que por mais que os vagalumes façam parte da cultura popular, eles são pouco estudados pela ciência. Por conta disso, ainda existem espécies novas a serem descobertas.

No caso desse vagalume, a pesquisa para a identificação e detalhamento das características da nova espécie durou quase o ano passado inteiro. E por causa da pandemia, os pesquisadores revezavam no laboratório.

“Em um sistema de dinâmica para acelerar o artigo, já que a gente estava no período intenso da pandemia, então eu ia uma semana, trabalhava com essa espécie, ele na outra semana”, disse Stephanie.

O projeto identificou três vagalumes novos. E os nomes dos outros dois homenageiam pessoas importantes para o grupo. Um deles é Maurício Conan, que faleceu em 2019, e outro é uma homenagem para Raquel Queiroz, que é uma amiga dos pesquisadores que participou do trabalho de coleta na natureza.

Homenagem

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Além dessa nova espécie, a praça perto de onde Alex sofreu a tentativa de assalto também recebeu o nome do estudante. Essa homenagem aconteceu no mesmo ano em que ele foi morto.

Com um nome novo, a praça ganhou iluminação, brinquedos, equipamentos de ginástica e uma placa. Contudo, os amigos e familiares do estudante reclamam que o espaço está mal cuidado.

Esse ano, os alunos do campus da Praia Vermelha da UFRJ reclamaram novamente da falta de segurança na região.

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Alex também recebeu uma homenagem em forma de grafite na entrada da faculdade. O grafite está parcialmente apagado, mas o rosto do estudante ainda continua visível para todos que entram na instituição.

Orgulhosa

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A mãe do estudante se define como “ainda enlutada, mas orgulhosa” do filho. Segundo Mausy, a homenagem a faz lembrar do pai de Alex, que faleceu um tempo depois do filho.

“Meu filho era uma pessoa iluminada. Eu e o Andrey, pai de Alex, que já morreu, que acho que não aguentou a tristeza, eu gosto de imaginar os dois lá em cima conversando sobre isso”, disse ela.

Fonte: G1

Imagens: G1

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