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Como a morte de Vincent Chin galvanizou a luta pelos direitos dos ásio-americanos

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Em junho de 1982, Vincent Chin, pensava que viveria um futuro promissor. À data, Chin estava prestes a se casar com Vickie Wong e usufruia de um bom emprego. Não obstante, toda a ideia de viver dias banhados de felicidade se exauriu quando Chin foi espancado até a morte por dois americanos brancos.

Na época, os culpados, após terem sido capturados, foram condenados pela justiça. A morte de Chin, felizmente, não foi em vão – sua partida incitou a importância dos direitos civis dos ásio-americanos.

A morte de Chin

Depois de um longo dia de trabalho, Chin, ao chegar em casa, decidiu organizar uma despedida de solteiro de última hora. Após jantar, informou à mãe que iria encontrar com dois amigos em um bar da região na qual vivia.

Chin e os amigos Robert Sirosky, Jimmy Choi e seu padrinho de casamento Gary Koivu foram até o Fancy Pants Lounge, em Highland Park. O estabelecimento, à data, era um famoso clube de striptease e como havia inúmeras dançarinas nuas, não servia bebida alcoólica – uma maneira de evitar qualquer tipo de situação avassaladora.

Enquanto os quatro se divertiam, Ronald Ebens e seu enteado, Michael Nitz, observavam ressentidos as mulheres se aglomerarem em torno de Chin. De acordo com o testemunho de uma das dançarinas, Ebens os mirava fixamente porque não aceitava o fato dos japoneses assumirem cargos que deveriam ser ocupados pelos próprios cidadãos do país. “É por causa deles que estamos sem trabalho”, disse Ebens.

O que Ebens e Nitz não sabiam era que Chin era um ásio-americano. Quando Ebens e seu enteado começaram a proclamar insultos racistas, Chin tentou apaziguar a raiva revelando que ele e os amigos não eram japoneses. A ponderação de Chin, infelizmente, não foi o suficiente para impedir uma briga.

Os seguranças do estabelecimento conseguiram controlar a situação. Mesmo tendo deixado o lugar logo após a briga, a violência continuou a perseguir o ásio-americano. Ebens e Nitz encontraram Chin no estacionamento de um restaurante especializado em fast food. O ásio-americano foi espancado até a morte. Os agressores foram presos no mesmo dia.

Justiça

De acordo com uma reportagem publicada pelo portal de notícias All That is Interesting, o homicídio, na época, foi noticiado pelo Detroit Free Press, mas não atraiu muita atenção. Os ásio-americanos se viram diante da obrigação de prantear em silêncio.

Em março de 1983, Ebens e Nitz foram julgados no tribunal do condado de Wayne. Por terem confessado o crime, o juiz os multou em US$ 3.000, mais US$ 780 – pra cobrir as custas judiciais. Três anos depois, Ebens e Nitz estavam soltos novamente.

O caso ultrajou a comunidade asiático-americana. Para Kin Yee, que à data era presidente do Conselho de Bem-Estar Chinês de Detroit, “o julgamento mostrou que os agressores obtiveram uma licença para matar por US $ 3.000″.

“Se tivesse sido um assassinato brutal, é claro que esses caras estariam na prisão agora”, pontuou Yee.

Após o veredicto, asiático-americanos se rebelaram e em um mês, uma organização em prol dos direitos civis dos ásio-americanos – chamada American Citizens for Justice (ACJ) – formada pela jornalista Helen Zia e outros ativistas que viviam em Detroit começaram a agir.

Caso dos Direitos Asiático-Americanos

Mesmo tendo mobilizado parte da população de Detroit, a morte de Chin, segundo o professor de direito constitucional da Wayne State University, Robert A. Sedler, revelou que os ásio-americanos não estavam protegidos pelas leis dos direitos civis. Por esse motivo, o fato instigou mais ainda a organização a buscar apoio.

A morte de Chin só alcançou o país quando uma escritora negra que estava visitando parentes em Detroit escreveu um artigo sobre o homicídio para o The New York Times. Com isso, a ACJ solicitou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos investigasse o assassinato de Chin.

No segundo julgamento, em 1984, o Tribunal Distrital dos Estados Unidos absolveu Nitz, mas Ebens foi considerado culpado e condenado a 25 anos de prisão. No entanto, em 1986, um dos advogados de Ebens solicitou um novo julgamento, alegando que uma das testemunhas havia sido treinada.

Outro julgamento foi realizado. Desta vez, em Cincinnati, onde um júri federal de 10 brancos e dois negros o considerou inocente. Embora a batalha dos ásio-americanos tenha sido em vão, o legado de Vincent Chin continua vivo. O documentário Who Killed Vincent Chin? foi indicado ao Oscar em 1989. Outros filmes, peças, artigos e obras de arte mantiveram viva a imagem do ásio-americano ao longo de todos esses anos. Além disso, a comunidade, hoje, é protegida por ONGs e ativistas dos direitos civis.

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