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Como funcionam as câmeras nos uniformes dos policiais?

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Quando pensamos em policiais logo temos uma imagem na cabeça de pessoas que, teoricamente, estão ali para nos proteger e nos livrar de qualquer situação perigosa. No entanto, sabemos que a realidade pode não ser bem essa e que, por vezes, eles acabam abusando da sua autoridade e praticando atos que não deveriam ser feitos por agentes da lei.

Justamente por isso que, em abril de 2019, o governo de São Paulo anunciou que colocaria câmeras nos uniformes dos policiais militares. Na época, o governador do estado era João Doria e foi ele quem apresentou essa iniciativa. A priori ela seria testada em 120 fardas de somente um batalhão como parte do programa chamado Olho Vivo. E já nessa época essa implantação de câmeras não era uma coisa inédita, porque já tinham sido colocadas nos policiais de Santa Catarina.

Essas 120 câmeras foram colocadas nos policiais que atuavam nas regiões do Jardim Ângela e do Capão Redondo, na periferia de São Paulo. Quando o tenente-coronel Robson Cabanas Duque, comandante do 37º Batalhão, anunciou essa medida, ele ressaltou que os estudos feitos na corporação mostravam um potencial positivo a respeito dessas câmeras.

Em agosto de 2020 aconteceu a implementação desses equipamentos. Ao todo foram 585 câmeras, ao invés das 120 iniciais. Depois disso, o programa ficou ainda maior e atualmente faz parte da rotina de 179 unidades policiais. Elas estão presentes em 66 dos 134 batalhões da PM, tendo mais de 10 mil câmeras sendo usadas.

Quando esse programa foi ser ampliado, entre o final de 2020 e começo de 2021, a gestão do então governador abriu uma licitação internacional. Com isso, eles fecharam um contrato de 30 meses com a Axon por 1,2 milhão de reais por mês para que a empresa fizesse a operação e gestão do sistema.

Como funcionam

Folha de São Paulo

Essas câmeras corporais que são usadas são acopladas nas fardas e gravam todas as atividades policiais. O que elas captam é transmitido em tempo real para uma central. Isso faz com que se possa acompanhar as ações feitas pelos PMs. E tudo que foi registrado fica armazenado na nuvem no sistema da Axon.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, “todas as abordagens, fiscalizações, buscas, varreduras, acidentes e demais interações com o público” ficam registradas de maneira automática.

Além disso, a Secretaria de Segurança Pública também disse que todas as câmeras têm localização por GPS, o que é um ponto para aumentar a segurança dos policiais. Já que por conta desse sistema nos equipamentos os policiais podem ter a sua localização rastreada. Assim, o PM pode chamar reforço quando necessário e todos saberem exatamente onde ele está.

De acordo com o Estadão, um estudo feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou que, normalmente, a quantidade de mortes por conta de intervenções policiais diminuiu 57% quando comparado ao tempo em que eles não usavam as câmeras.

Equipamento

El Pais

Ainda segundo esse estudo, nos primeiros 14 meses de implantação das câmeras, 104 mortes foram evitadas. Isso levando em consideração somente a região metropolitana da capital paulista.

Além dessa redução, outro número que também sofreu queda foi o de ações policiais que tinham como resultado lesões corporais. A queda nesses casos foi de 63%. E já com as câmeras nos uniformes, o número total de apreensão de armas teve um aumento de 24%. Os casos de violência doméstica que foram registrados teve um aumento impressionante de 102%.

Mesmo com todos esses números mostrando o quão benéfico o equipamento foi, o novo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse durante sua campanha eleitoral que iria reavaliar o uso dessas câmeras. Segundo os argumentos dele, as câmeras nos uniformes mostravam que o estado não confia nos seus policiais. O novo governador também disse que, por conta do equipamento, os policiais evitam agir em determinadas situações por saberem que estão sendo gravados.

Fonte: Estadão

Imagens: Folha de São Paulo, El País

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