
Não, não é ficção científica, é a realidade. O primeiro computador com neurônios humanos vivos integrados ao sistema foi criado. Chamado de CL1 e desenvolvido pela Cortical Labs, está à venda e custa cerca de U$ 35 mil dólares (aproximadamente R$190 mil reais).
Se você tem o valor para comprar o supercomputador, verá como ele funciona: ao invés de usar apenas circuitos e chips de silício, o CL1 combina tecnologia tradicional com cerca de 800 mil neurônios humanos cultivados em laboratório. Esses neurônios são colocados sobre uma placa que permite a comunicação elétrica entre o cérebro biológico e o sistema computacional, criando uma interface híbrida que pode aprender, reagir e até tomar decisões simples em tempo real.
A Cortical Labs apelidou esse sistema operacional de biOS (Biological Operating System) e ele já foi usado para ensinar o supercomputador a jogar Pong, o jogo clássico dos anos 70. A diferença? Ele aprendeu sozinho, respondendo aos estímulos e evoluindo com a prática, algo que normalmente exigiria algoritmos de machine learning.

Supercomputadores tradicionais gastam quantidades astronômicas de energia para simular o cérebro humano, mas O CL1 faz o mesmo com muito menos. Os criadores dizem que os neurônios vivem cerca de seis meses no sistema, desde que alimentados com nutrientes e mantidos em uma incubadora que simula o corpo humano.
Se pagar R$190 mil por uma unidade está fora de cogitação, a empresa oferece uma versão em nuvem: “Wetware-as-a-Service”. Pesquisadores podem testar aplicações por US$ 300 por semana.
Mas o avanço levanta questões éticas: se os neurônios são vivos, será que podem desenvolver consciência? Sentir dor? Sofrer? A própria Cortical Labs admite: esses dilemas precisam ser discutidos com seriedade.
Estamos entrando em uma nova era da computação. A fronteira entre o biológico e o digital começa a se dissolver e, o que vem a seguir, pode mudar tudo o que sabemos sobre inteligência, máquinas e o cérebro humano.
Fonte: Tempo





