Autoridades do governo do Conselho de Fife, na Escócia, estão lançando uma campanha, para rastrear e reunir todos os restos mortais de Lilias Adie, uma mulher condenada por bruxaria no século 18. Isso porque, agora, a bruxa, que desapareceu do túmulo, está sendo procurada por autoridades.

Mais de 300 anos após usa morte, a intenção é enterrar de de maneira adequada bruxa que desapareceu de seu túmulo original. Dessa forma, o governo escocês pretende quebrar mitos sobre o aconteceu durante a caça às bruxas. Além de ainda, reconhecer os erros que foram cometidos ao longo da história.

A verdade por trás da história de uma "bruxa"

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Durante a virada dos séculos 17 e 18, Lilias Adie viveu no condado escocês de Fife. Sua vida era de uma pessoa normal da época, não sendo marcada por grandes eventos. Dessa forma, a história a esqueceria se não fosse por um motivo, ele ter sido acusada de bruxaria. Em 1704, Lilias Adie entrou uma discussão com um vizinho. Dessa forma, para se vingar, esse vizinho mentiu para as autoridades e disse que Lilias era uma bruxa. Na época, ela foi acusada de ser ter sido seduzida e ter feito sexo com o diabo. Contudo, trezentos anos atrás, as pessoas não somente acreditariam nisso, como também te levariam a fogueira, apenas com o depoimento de um vizinho.

Depois de ter sido presa, Lilias Adie foi presa e interrogada por um longo período. Depois disso, ela se viu sem saída e acabou confessando a bruxaria e sua 'amizade' com o inferno, na esperança de ser liberta. De fato, as autoridades dificilmente teriam aceitado sua negação das acusações.

Naquele período, mulheres acusadas de bruxaria deveriam ser queimadas em praça pública. No entanto, ela não chegou a cumprir esse destino. Antes que o julgamento pudesse acontecer, Lillias morreu de suicídio, no final de agosto de 1704. Tudo porque ela já estava há muito tempo longe de casa, desolada, ela não via outra alternativa para sair daquela situação.

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Como uma bruxa deveria ser enterrada naquela época?

Na época, o reverendo Allan Logan, responsável pela justiça local, enfrentou uma série de complicações para enterrar Lilias. De acordo com ele, ela poderia "sair" da sepultura e assim, aterrorizar os vivos. E como o medo dos mortos era bastante difundido, todos concordavam que ela deveria ser enterrada de outra forma.

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Para evitar a "ameaça", o túmulo de Lilias foi fechado com uma pedra especial. Dessa forma, ela não poderia fugir de sua sepultura. Entretanto, em 1852, no século 19, os ossos de Lilias foram descobertos em uma escavação. Depois disso, os restos mortais de Lilias acabaram sendo divididos e hoje, as partes são propriedade de diversos colecionadores do país.

Em 2017, cientistas da Universidade de Dundee reconstruíram o rosto de Lilias a partir de seu crânio. Contudo, hoje, a bruxa que desapareceu se tornou um símbolo e autoridades do condado pretendem transformar o túmulo em um memorial para mulheres acusadas de bruxaria e cumplicidade com forças impuras.

De acordo com Douglas Speirs, arqueólogo de do Conselho de Fife, cerca de 3.500 mulheres foram assassinadas com o pretexto de que praticavam bruxaria. No entanto, entre os anos de 1560 e 1727, algumas estimativas podem chegar ao número de 6.000 assassinatos. "Chegou a hora de afastar a narrativa da figura de Halloween da bruxa divertida. É preciso reconhecer o sofrimento das mulheres expostas, em nome da caça às bruxas", disse Douglas.

Publicado em: 13/02/20 18h19