
O engenheiro turco Orkut Büyükkökten, criador da rede social que marcou uma geração no Brasil, afirmou durante sua participação no Voices 2025, no Rio de Janeiro, que está desenvolvendo uma nova plataforma social. O objetivo, segundo ele, é resgatar a leveza e a conexão genuína que marcaram os primeiros anos da internet e que, em sua visão, foram perdidas com o avanço de modelos de negócios baseados em engajamento e coleta massiva de dados.
Entre 2004 e 2014, o Orkut chegou a reunir mais de 40 milhões de usuários brasileiros, tornando-se uma das redes sociais mais influentes do país. Agora, aos 50 anos, o desenvolvedor diz acreditar que é possível reconstruir ambientes online mais saudáveis e que sua nova plataforma nasce para esse propósito.
Durante sua palestra, Orkut reforçou que a internet atual está saturada por “raiva, ódio e negatividade”, resultado direto de plataformas focadas em lucro acima de conexão. Mesmo assim, ele insiste que o passado mais amistoso da web não é irreversível:
“A era leve da internet não desapareceu. A luz nunca acaba. Ela só espera que a escolhamos novamente.”
Segundo ele, redes sociais modernas deixaram de priorizar conexões humanas e passaram a se concentrar em modelos de engajamento contínuo, com rolagem infinita e algoritmos que favorecem conteúdos agressivos por serem mais lucrativos.
De acordo com Büyükkökten, a mudança começou quando:
O lucro se tornou prioridade absoluta
Algoritmos passaram a promover conteúdos de ódio por atraírem mais atenção
Dados pessoais viraram commodity, alimentando sistemas de anúncios direcionados
Conexão humana deixou de ser o centro das plataformas
Com isso, ele afirma, as redes evoluíram de ambientes de comunidade para espaços que amplificam comportamentos hostis e divisivos.
Orkut confirmou que está trabalhando em uma nova rede social inspirada no espírito do Orkut original, mas com objetivos mais amplos:
“A motivação para meu projeto não é nostalgia, mas cura.”
A nova plataforma (cujo nome ainda não foi anunciado) será construída com foco em:
amizade
gentileza
compaixão
bem-estar emocional
conexões reais, não métricas de engajamento
O desenvolvedor afirma que “cada linha de código é escrita para promover felicidade e comunidade”, numa tentativa de enfrentar o que ele chama de “epidemia da solidão”, um problema global que, segundo ele, foi agravado pelas redes sociais modernas.
Büyükkökten também fez críticas duras ao uso atual da IA nas plataformas digitais. Para ele, o excesso de conteúdo automatizado contribui para uma crise de confiança sem precedentes:
“Mais de 50% do conteúdo no Facebook parece sopa de IA. Você não pode confiar no que vê.”
Ele afirma que a IA generativa transformou a internet em um ambiente onde:
conteúdos falsos se multiplicam de forma ilimitada
perfis automatizados simulam interações humanas
a veracidade das informações se tornou incerta
Ainda assim, ele acredita que a tecnologia pode ser usada de forma positiva, desde que seja guiada por valores humanos e não por lucro.
Para o próximo ciclo da internet, Büyükkökten defende que redes sociais precisarão priorizar pessoas, não máquinas. Segundo ele:
“O futuro vai recompensar tecnologias que colocam humanos no centro.”
Ele afirma que plataformas que valorizarem intimidade, propósito e bem-estar terão mais chances de prosperar nos próximos anos.
Embora não tenha revelado o nome do projeto, Orkut confirmou:
A plataforma está em desenvolvimento ativo
O foco é restaurar conexões autênticas
Ela prioriza ambientes leves, acolhedores e seguros
O lançamento deve ocorrer após 2025, mas ainda sem data anunciada
O retorno do criador ao debate público reacende a nostalgia dos brasileiros que viveram a primeira era das redes sociais, mas ele garante que seu novo projeto vai além disso:
“Não queremos voltar ao passado. Queremos construir algo melhor.”





