
Desde o começo dos tempos o ser humano tem um fascínio pelo seu próprio fim. Todos nós sabemos que, em algum momento, a Terra como a conhecemos e vivemos vai acabar. Tanto é que as previsões do fim do mundo são muitas. Contudo, nessa quinta-feira, 1º de agosto, é o Dia da Sobrecarga da Terra, dia no qual a demanda por recursos naturais é maior do que a capacidade do planeta produzir ou renová-los durante um ano. Ou seja, a humanidade está no cheque especial com a Terra.
Quem faz esse cálculo para saber quando essa demanda é maior é a Global Footprint Network, uma organização internacional de sustentabilidade. De acordo com esse cálculo, é como se a humanidade tivesse entrado cheque especial com a Terra, ou seja, começou a operar no vermelho a partir de agora.
Para se ter uma noção, a humanidade usa o equivalente a 1,7 Terra por ano. Como se isso não fosse grave o suficiente, os humanos estão acabando cada vez mais cedo com os recursos naturais que os ecossistemas produzem durante cada ano.

Um só planeta
Esse consumo era de 0,6 Terra em 1936, quantidade que ainda estava dentro dos limites anuais. Em 1971, o Dia da Sobrecarga da Terra foi no dia 25 de dezembro. Já nos anos 2000, ele foi no dia 22 de setembro. Com relação ao consumo, em 2008, ele estava em 1,6 Terra.
Atualmente, a humanidade está em dívida com o planeta ainda na metade do ano. Ou seja, em somente sete meses todos os recursos naturais disponíveis para o ano já foram consumidos. Por conta disso, de agosto até dezembro nós iremos funcionar em um déficit ecológico, ou seja, usando de forma excessiva os recursos e esgotando ainda mais a biosfera.
Claro que o fato de a humanidade estar no cheque especial com a Terra tem consequências e elas irão ser cobradas. Dentre elas estão: a erosão do solo, perda de biodiversidade e acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera, levando a eventos climáticos extremos com uma frequência maior, diminuição da produção de alimentos e da segurança alimentar e hídrica tanto para a geração atual como para as futuras gerações.
Outro ponto é que, mais de 80% da população mundial vive em nações que usam mais do que os ecossistemas próprios conseguem renovar. Um exemplo disso são os moradores do Japão, que consomem os recursos de 6,6 Japões. Além dele, a Suíça também consome o equivalente a quatro vezes a biocapacidade do território, e os EUA, 2,4 vezes.
Mesmo assim, os EUA é o pais que tem uma pegada ecológica maior quando é comparado com as outras nações. Tanto que, se todo o mundo consumisse da mesma forma que os norte-americanos, iria ser preciso cinco Terras. Então, se todo mundo agisse como os moradores dos EUA, a humanidade iria entrar em cheque especial com a Terra bem antes, no mês de março.

Um só planeta
Mesmo que a humanidade tenha entrado em cheque espacial com a Terra, será que é possível reverter essa tendência? “Acabar com a sobrecarga é essencial. Também é possível, dado o potencial humano”, disse Debora Barioni, da Global Footprint Network.
De acordo com o GFN, as formas de atrasar o Dia da Sobrecarga da Terra estão disponíveis e são vantajosas financeiramente. Em diversas áreas existem oportunidades que vão desde cidades e energia à alimentação e planejamento da população. Algumas delas são:
Fonte: Um só planeta
Imagens: Um só planeta





