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DNA desconhecido e estranho é descoberto no Deserto do Atacama

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O ácido desoxirribonucleico, ou DNA, é o grande elemento que une as várias pontas da existência, desde o mundo animal ao vegetal, valendo para todo o planeta Terra. Além disso, é de conhecimento de todos que o DNA é um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e de alguns vírus. Além disso, ele transmite as características hereditárias de cada ser vivo. Resumindo, o DNA é a matéria que nos torna o que somos.

Mesmo sabendo de tudo isso, o DNA pode surpreender os cientistas, ainda mais se ele for pertencente a uma criatura desconhecida. Foi exatamente isso que os cientistas descobriram no deserto do Atacama, no Chile, um dos lugares mais inóspitos e áridos da Terra.

Durante muito tempo, o deserto do Atacama foi visto como sendo praticamente sem vida, tendo somente alguns animais adaptados que conseguiam suportar o calor e a falta de água. Contudo, recentemente uma equipe de pesquisadores chilenos e espanhóis encontrou alguns microrganismos estranhos. O que evidencia a existência desses microrganismos são os fragmentos de DNA que 9% são de organismos nunca vistos antes. Eles fazem parte do chamado microbioma escuro.

DNA desconhecido

Canaltech

De acordo com os cientistas, até mesmo o DNA que já é conhecido foi difícil de ser identificado e é totalmente estranho. Eles disseram que, em quase metade, as bases dos dados disponíveis não diziam com precisão o que era aquilo que eles tinham em mãos.

E se por tanto tempo o deserto do Atacama foi considerado um local quase sem vida e inóspito, por que procurar vida nele? Isso tem a ver com Marte. Até porque, o local se parece com o ambiente marciano e isso, para os pesquisadores, vale muito porque eles podem testar os equipamentos que irão ser enviados ao Planeta Vermelho no futuro.

O lugar estudado por eles se chama Piedras Rojas, ou Pedras Vermelhas em português. Esse local tem materiais geológicos bem parecidos com os de Marte. E os equipamentos que os pesquisadores usaram são os mesmos que já estão ou vão estar nas sondas que irão fazer a varredura de Marte na busca por vida alienígena.

Fazer esse teste em um lugar tão inóspito quanto o quarto planeta do sistema solar pode ajudar a demonstrar como os biomarcadores e DNA irão ser identificados no planeta.

Resultados

Canaltech

Por mais que os resultados tenham mostrado a capacidade de detectar várias formas de vida, até mesmo desconhecidas, o equipamento que foi usado pode não ter a sensibilidade suficiente para dizer com certeza se existem marcadores de vida antiga nas amostras marcianas.

Até porque, se existir traços extremamente difíceis como os vistos no deserto do Atacama, o rover pode deixá-los passar batido. Nesse caso, uma confirmação teria que ser feita em um laboratório aqui na Terra com uma amostra que fosse enviada para nós.

O objetivo dos pesquisadores é ajudar as equipes das agências espaciais americana (NASA) e europeia (ESA) na busca por vida em Marte e, principalmente, na identificação de fósseis. Contudo, eles não pretendem parar nisso.

“Caso precisemos ajustar a precisão de equipamentos ou até mesmo bolar estratégias completamente diferentes de rastreamento, é possível que a nossa procura pela vida em Marte impacte em iniciativas com outros planetas habitáveis no futuro”, disseram os pesquisadores.

Importância

Science alert

Se encontrar esse DNA no deserto do Atacama é importante para as pesquisas futuras em Marte, um outro tipo de DNA também tem sua importância, mas para as criaturas da Terra.

Os cientistas descobriram que o ar a nossa volta tem traços detectáveis de animais que vivem no nosso meio. Além disso, essa descoberta faz uma revolução na forma como os pesquisadores monitoram e rastreiam as populações de espécies vulneráveis ou que estão ameaçadas de extinção.

Segundo dois novos estudos feitos por equipes diferentes de cientistas, descobriu-se que o DNA ambiental (eDNA) que é liberado pelas criaturas vivas pode ser identificado graças a dispositivos a vácuo, que capturam e filtram amostras transportadas pelo ar em locais habitados por animais.

“Ficamos surpresos quando vimos os resultados. Em apenas 40 amostras, detectamos 49 espécies de mamíferos, pássaros, anfíbios, répteis e peixes”, disse a pesquisadora de genômica evolutiva Kristine Bohmann, da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca.

Nesse sentido, outra equipe também estava pesquisando a mesma coisa mais ou menos na mesma época no Reino Unido. Esse estudo foi liderado pela ecologista molecular Elizabeth Clare, da Queen Mary University, de Londres.

“Conseguimos até coletar eDNA de animais que estavam a centenas de metros de onde estávamos testando, sem uma queda significativa na concentração, e até mesmo de edifícios externos lacrados. Os animais estavam lá dentro, mas seu DNA estava escapando”, disse Clare.

Essas descobertas são importantes porque apoiam a ideia conservacionista. Assim, outros estudos da comunidade de pesquisa serão capazes de usar essas técnicas para monitorar, de forma remota, as populações de animais na natureza, dentre elas, principalmente aquelas que estão ameaçadas de extinção. Isso porque, as espécies ameaçadas geralmente são mais difíceis de se encontrar e rastrear com métodos tradicionais de observação.

Fonte: Canaltech, Science Alert

Imagens: Canaltech, Science Alert

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