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Entenda tudo sobre o colapso da falta de oxigênio em Manaus

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O mundo ainda está enfrentando a pandemia do Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O número de mortes em escala global já ultrapassa 1 milhão e 900 mil. Aqui no Brasil, já foram registradas mais de 200 mil mortes da doença. A OMS declarou que estamos vivendo a segunda onda da doença, visto que os casos estão em uma crescendo assustadora. Manaus, a capital do estado do Amazonas vive uma crise jamais vista com os avanços dos infectados. As internações na cidade estão batendo recordes e, diante disso, as unidades de saúde ficaram sem oxigênio, o que é indispensável para o tratamento dos casos mais graves.

O estado está sendo obrigado a enviar os pacientes para outros estados. A desgraça não para por aí, pois os cemitérios já alertaram que estão lotados, sem lugares para sepultar novos casos fatais. Eles tiveram o horário de funcionamento ampliado e precisaram instalar câmaras frigoríficas. A fim de frear o vírus, o governo do Amazonas decretou toque de recolher. As pessoas não podem circular entre 19h e 6h na capital Manaus.

De acordo com os boletins médicos, a média móvel de mortes cresceu 183% nos últimos 7 dias. Até o fechamento dessa matéria, mais de 220 mil pessoas já haviam sido infectadas em todo o estado e quase 6 mil morreram com a doença. Do dia 1° ao dia 12 de janeiro, o número de internações da cidade chegou a 2.221. O número recorde até então havia sido em abril de 2020, com 2.128 pacientes internados. No momento, Manaus é a “prioridade nacional”, segundo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Variante do Coronavírus e falta de oxigênio

Na terça-feira, a Fiocruz divulgou que foi encontrada no Amazonas uma nova variante do vírus. Essa é a mesma variante que foi encontrada no Japão após viajantes passarem pelo estado recentemente. Hoje, quinta-feira (14), o Brasil se surpreendeu com as notícias e relatos de profissionais da saúde. Imagens mostrando médicos transportando cilindros de oxigênio nos próprios carros para levar aos hospitais tomaram as redes sociais.

A técnica de enfermagem Solange Batista disse que precisou comprar oxigênio para a irmã, que está internada com um caso mais avançado da doença. Gabriela Oliveira, médica residente do Hospital Universitário Getúlio Vargas, revelou que a situação da cidade está caótica. Os profissionais de saúde falam em cenário de guerra. “O que eu vivi hoje, nem nos meus piores pesadelos eu pensei que poderia acontecer. Não ter como assistir paciente, não ter palavras para acalentar um familiar. Isso é uma coisa que vai ficar uma cicatriz eterna nos nossos corações”, contou.

O consumo de oxigênio por pacientes de leitos clínicos é uma das razões para o colapso do sistema de saúde, de acordo com o Coronel Franco Duarte, que representa o Ministério da Saúde. “Aquele paciente que não está no leito de UTI é o que consome mais, porque ele fica lado a lado do regulador de oxigênio. A sensação é de falta de ar, e você abrindo o acesso ao oxigênio, você tem a sensação de bem-estar, mas, em contrapartida, aumenta muito essa demanda”, disse.

Crise em Manaus

Marcellus Campêlo, Secretário da Saúde do estado do Amazonas, afirmou que o estado está passando por uma crise no abastecimento de oxigênio. Ele disse ainda que o governo do estado e as Forças Armas trabalham no apoio logístico para a entrega de oxigênio para a rede estadual de saúde, lado a lado, com o transporte de gás que precisam ser levados de outros estados para o Amazonas.

“Tivemos um pico de fornecimento e aumento de demanda acima do esperado. Fomos comunicados ontem [quarta-feira] à noite do colapso do plano logístico em relação a algumas entregas, o que causará a interrupção da programação por algumas horas”, disse Campêlo a respeito do recebimento do oxigênio. Ainda de acordo com ele, a alta demanda surpreendeu um dos maiores conglomerados de gás do mundo, a empresa White Martins. A falta de oxigênio está impedindo o uso de leitos em grandes hospitais que estão abertos para o uso.

Transferência de pacientes

Diante da situação, pacientes precisam ser levados para outros estados em busca de atendimento. Goiás, Piauí, Maranhão, Brasília, Paraíba e Rio Grande do Norte são os destinos. O governo revelou que fez um estudo para que as transferências não causem transtornos nesses estados de refúgio. De acordo com as autoridades de Manaus, 235 pacientes já foram transferidos. Segundo o Coronel Franco Duarte, as transferências são de pacientes com estado de saúde em fase moderada da doença.

Ele completou dizendo: “São pacientes que ainda continuam dependendo do oxigênio, mas eles têm toda a segurança plena para serem transportados”.

Toque de recolher

Wilson Lima, o governador do estado, decretou um toque de recolher. As pessoas na capital não podem circular pelas ruas entre 19 horas e 6 horas. Todas as atividades, exceto os serviços essenciais para a vida, também precisar fechar suas portas. A medida começou a valer imediatamente. Entre as medidas estão: suspensão do transporte coletivo de passageiros entre as rodovias e rios do estado; fechamento das atividades e circulação de pessoas entre os horários decretados, podendo sair apenas as pessoas que trabalham nas áreas de saúde, segurança pública e imprensa; funcionamento de farmácias entre 19h e 6h apenas por delivery ou sob demanda.

Lotação dos cemitérios

A capital Manaus registrou 198 enterros apenas na quarta-feira, batendo o recorde de sepultamentos diários pelo quarto dia consecutivo. Do número total, 87 enterros tiveram a causa declarada como Covid-19. Diante do aumento da demanda, a Prefeitura da cidade ampliou o funcionamento dos cemitérios até às 18h. Foram instaladas ainda duas câmaras frigoríficas no cemitério público Nossa Senhora Aparecida, conhecido como Cemitério do Tarumã.

Os responsáveis pela saúde e segurança do estado buscam manter conservados os corpos de vítimas que morreram no momento em que os cemitérios estão fechados. As câmaras têm a capacidade de armazenar até 60 caixões e já começaram a ser usadas. A última vez que a cidade teve que lidar com tantos enterros assim foi no dia 26 de abriu de 2020, com 140 registros. Na época, o Amazonas enfrentava a primeira onda da doença, até então pouco conhecida.

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