Perfil dos participantes e modelo de treinamento
Os participantes vêm de universidades e centros de pesquisa e incluem estudantes de engenharia aeroespacial, física e áreas afins. A missão Asclepios 5, por exemplo, reuniu uma tripulação de nove estudantes selecionados, além de uma equipe de até 30 pessoas no centro de controle em solo, responsáveis por conduzir operações e monitorar experimentos.
Durante cerca de 16 dias, os “astronautas” permanecem confinados à base e seguem protocolos rigorosos: uso de trajes sempre que deixam os limites da instalação, alimentação com refeições desidratadas semelhantes às de missões reais e exercícios extraveiculares noturnos que simulam caminhadas lunares. Em algumas simulações, os participantes evitam luz solar deliberadamente para reproduzir condições do polo lunar.
Foco em cronobiologia e saúde
Uma parte central das missões é o estudo dos ritmos circadianos e do sono em condições de escuridão prolongada. No projeto Kronoespazio, liderado por pesquisadores em cronobiologia, os participantes usam dispositivos vestíveis para registrar sono, temperatura corporal e níveis de melatonina, e fornecem amostras para análises genéticas relacionadas ao ciclo circadiano. Os resultados serão publicados em periódicos científicos e apresentados em conferências.
Além dos experimentos, os estudantes participam de treinamentos em primeiros socorros, sobrevivência, resgate e voos parabólicos com microgravidade. Relatos de participantes, como o brasileiro Mateus de Magalhães e o pesquisador britânico Matthew Acevski, destacam que a experiência oferece prática valiosa que complementa a formação acadêmica e orienta escolhas profissionais no setor espacial.
Modelo acessível e financiamento
Diferentemente de muitas simulações comerciais, a Asclepios fornece participação gratuita aos selecionados, sustentando-se por meio de doações, financiamento coletivo e patrocínios. Esse modelo visa democratizar o acesso a oportunidades de formação prática para estudantes de diferentes países e formações.
Os organizadores ressaltam que os aprendizados não beneficiam apenas missões espaciais: técnicas de eficiência no uso de água, reciclagem de materiais e gestão em ambientes extremos podem ser aplicadas em regiões terrestres com escassez hídrica ou climas extremos. A engenheira-chefe Lauren Paulson afirma que desenvolver soluções para o espaço estimula inovações úteis no planeta.
Resultados esperados e próximos passos
O primeiro relatório público da missão já foi divulgado, e os dados coletados serão usados para ajustar protocolos e embasar futuras pesquisas. Os organizadores esperam que os achados em sono e cognição ajudem a orientar medidas de proteção à saúde de astronautas em missões reais, além de contribuir para práticas de trabalho em turnos e outras situações terrestres que afetam ritmos circadianos.
















