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Esse jovem recria clipes em libras

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É basicamente impossível imaginar um mundo onde não haja músicas. Elas são responsáveis por dar emoção aos filmes, eventos esportivos, séries, novelas e, é claro, à nossa vida como um todo. Apesar de um cantor sempre gerar identificação com seu público por meio de suas músicas, sempre é preciso ir além. É para isso que existem os clipes musicais.

Os clipes são usados como uma forma de gerar ainda mais engajamento ao artista. À medida que é possível ter um contato visual com a obra, eles fazem com que as pessoas se sintam mais próximas da ideia que o autor queria transmitir.

Todo o trabalho colocado na produção dos clipes pode ser visto no produto final. Assim, podemos agradecer a existência deles à chegada da MTV. Depois do seu surgimento, os artistas começaram a investir mais nos vídeos para promover suas músicas.

Clipes

 

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Contudo, mesmo que os clipes pareçam um produto para todos, eles não são. Com o passar do tempo, a pauta sobre inclusão felizmente veio ganhando mais força e realmente sendo um ponto para as pessoas prestarem atenção.

Nesse sentido, algumas pessoas abraçam alguma causa, se apaixonam por ela e tentam fazer tudo que está ao seu alcance para melhorar a vida de um grupo muitas vezes esquecido.

Esse foi o caso de Nemuel Lima. Em 2007, ele teve o primeiro contato com pessoas surdas e com a Língua Brasileira de Sinais. A partir daí, ele começou a exercitar a sua própria capacidade de se colocar no lugar do outro.

“Pra gente é um privilégio ir ao cinema, assistir a um filme de qualquer idioma e ter ali a legenda, ir ao teatro e ter acesso a toda musicalidade e os aspectos que uma peça tem. E aí fiquei pensando: ‘Como é para um surdo nesses espaços de cultura?’. ‘ Ele tem o mesmo acesso?’. ‘É justo?’”, disse ele.

A partir desses questionamentos foi que o jovem começou a atuar em vários contextos, dentre eles, o da arte foi o que mais atraiu Lima.

Recria

 

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“Sempre sonhei em fazer teatro musical. Tinha essa coisa da Broadway muito presente em mim, dos musicais da Disney. Eu tinha um sonho e abandonei. Fiz oficinas aqui e ali, mas nunca fiz um curso profissional”, contou.

Nesse ínterim, a forma que o jovem encontrou para projetar esse desejo foi através da interpretação de músicas para os surdos. Mas Lima não parou por aí. Ele foi criando novas formas de trazer as sensações provocadas pela música e pelas performances dos artistas para libras.

“Para mim, é um momento de entrega, de viver um pouco da arte enquanto eu faço a tradução das músicas. Um dia, eu pensei: ‘Que tal eu construir esse universo, entre aspas, ‘paralelo’, onde a Língua de Sinais está em primeiro lugar e tem uma pessoa ali, em primeiro plano, passando tudo o que a música fala para os surdos? Então, comecei a construir esse ambiente em que a Luisa Sonza aparece, a Juliette, o Pedro Sampaio. E aí vou selecionando as músicas de acordo com o que os seguidores vão pedindo”, disse ele.

Trabalho

 

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O jovem entrega esse trabalho bem detalhado. Ele prepara a roupa, maquiagem e, em determinados casos, tenta criar um cenário parecido com o dos clipes originais.

Ademais, existe a Lei Brasileira de Inclusão (13.146), no capítulo 9, artigo 42, que garante acesso à cultura, esporte e lazer e que autoriza todo tipo de obra a ser acessível e divulgada, de forma democrática, em plataformas digitais, sem que seja cobrado ingresso, por exemplo.

Lima já gravou vários clipes em libras e não tem a intenção de parar. “Tá vindo Zé Felipe, Anitta, Pabllo Vittar. Depois que cumprir o ciclo de artistas nacionais, quero fazer uma série de artistas paraibanos, para que os brasileiros possam conhecer as canções que ecoam por aqui, e uma série de músicas infantis em Libras”, revelou ele.

“A gente acha que já conhece tudo da nossa vida. Quando a gente encontra o diferente, é desafiado a nos conhecer de novo, nossas habilidades, capacidades. Permitam-se conhecer, a cada novo nascer do sol”, concluiu ele.

Fonte: Estadão

Imagens: Instagram 

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