Estrutura misteriosa no oceano Pacífico pode ser do tempo dos dinossauros

Avatar for Mayara MarquesMayara MarquesNaturezaoutubro 3, 2024

Uma equipe fez uma curiosa descoberta no oceano Pacífico, que pode ser de muito, muito tempo atrás.

Ao examinar a Dorsal do Pacífico Leste, uma importante formação geológica que está originando uma cordilheira oceânica, cientistas localizaram uma porção de terra que pode ter sido, no passado, um antigo fundo marinho.

Esse assoalho oceânico, até então inexplorado, oferece novas pistas sobre a dinâmica interna do planeta e a evolução de sua superfície ao longo das eras geológicas.

Em um artigo recente publicado na revista Science Advances, os pesquisadores descrevem como utilizaram dados sísmicos para localizar antigas placas oceânicas escondidas nas profundezas do manto terrestre, a camada intermediária entre a crosta e o núcleo.

Essa espessa região foi identificada entre aproximadamente 410 e 660 quilômetros abaixo da superfície.

A equipe acredita que esse fragmento de fundo marinho recém-descoberto pode fornecer informações valiosas sobre a estrutura enigmática da chamada Província de Baixa Velocidade de Cisalhamento do Pacífico (LLSVP, na sigla em inglês). Trata-se de uma vasta área no manto inferior conhecida por retardar, de forma inexplicável, a propagação de ondas sísmicas que medem terremotos.

Via Wikimedia

Uma barreira de placas tectônicas

De acordo com o estudo, a zona de transição mais espessa apresentou velocidades de ondas sísmicas mais rápidas do que a média. Ao menos é o que revela as novas imagens tomográficas.

Isso indica uma alteração na estrutura mineral, provavelmente causada por temperaturas mais baixas.

Os autores sugerem que esse fenômeno é resultado de antigas subducções oceânicas que ocorreram durante a era mesozoica. Ou seja, entre 250 e 120 milhões de anos atrás, sob a atual Placa de Nazca. Hoje, essa placa está subduzindo (afundando) sob a Placa Sul-Americana.

No entanto, no lado oeste da Placa de Nazca, encontra-se uma cordilheira oceânica de rápido crescimento. Além disso, também traz um hotspot (área de intensa atividade vulcânica) localizado nas proximidades das ilhas de Páscoa. Foi entre o Pacífico central e oriental que a equipe identificou essa intrigante lacuna estrutural.

O geólogo Jingchuan Wang, da Universidade de Maryland, EUA, e principal autor do artigo, explica qie essa descoberta no Oceano Pacífico tem um material  afundando a cerca de metade da velocidade esperada. Assim, sugere que a zona de transição do manto pode funcionar como uma barreira, retardando o movimento do material pelo interior da Terra.

Como produz as superplumas?

A equipe sugere que o antigo pedaço do fundo do mar, subduzido na Terra há cerca de 250 milhões de anos, pode estar agindo como uma espécie de laje, mais fria e densa do que as áreas circundantes. Esse pedaço tecnicamente é como um “fóssil” de um antigo fundo oceânico.

Imersos em uma região do manto em fusão, esses densos vestígios de um fundo oceânico do período Triássico afundam profundamente nas camadas mais quentes do manto terrestre.

Ao se moverem nessas zonas de temperaturas elevadas, esses materiais antigos podem eventualmente formar superplumas, grandes estruturas geológicas que influenciam a formação de magma e podem chegar à superfície da Terra.

Acredita-se que o hotspot responsável pela formação da ilha de Páscoa, no Chile, esteja localizado exatamente acima de uma dessas plumas. Esse ponto de anomalia térmica é conhecido por sua intensa atividade vulcânica.

O sistema, composto por várias ilhas vulcânicas, se desenvolveu à medida que a Placa do Pacífico se deslocou para o noroeste, passando sobre o hotspot.

Descoberta no Oceano Pacífico

Via Flickr

Com os dados sísmicos dessa pesquisa, a equipe está desenvolvendo um novo modelo para entender melhor o movimento das placas tectônicas ao longo da história da Terra.

No futuro, os autores esperam ampliar o alcance do estudo para outras áreas da descoberta no Oceano Pacífico e, possivelmente, para além dessa região.

Wang espera criar um extenso mapa das antigas zonas de subducção e ressurgência. Ou seja, regiões onde o material subduzido aqueceu e voltou à superfície da Terra. O objetivo é investigar os efeitos desse material tanto nas camadas profundas quanto nas superficiais do planeta.

 

Fonte: Tecmundo

Imagens: Wikimedia, Flickr

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