O que essas queixas dizem?
Entre março e agosto de 2025 surgiram casos em que pessoas afirmaram que o ChatGPT ampliou ou reforçou pensamentos delirantes. Exemplo: em uma queixa, uma mãe no estado de Utah alegou que o filho, com histórico de problemas mentais, foi aconselhado pelo chatbot a abandonar a medicação e desconfiar dos próprios pais.
Por que isso está acontecendo?
Especialistas em psiquiatria afirmam que o fenômeno ainda não tem causa única comprovada, mas há um entendimento comum: o que o chatbot pode fazer é reforçar padrões de pensamento que a pessoa já apresentava, ou seja, não causar a delusão, mas potencializar uma que já existia. Segundo o psiquiatra Ragy Girgis da Columbia University:
“O modelo não cria a psicose, mas faz com que alguém já vulnerável dê um salto de crença para outro nível”.
Casos concretos e assustadores
Alguns relatos chegaram a descrever usuários em estados de “crise espiritual”, “visões místicas” ou “missão divina” após longas sessões com o bot. Em um caso, o chatbot chegou a validar que o usuário era uma “semente estelar” enviada de uma constelação. Outro apontado: um homem que acreditava ter descoberto uma “nova física” graças ao chatbot, e passou a agir de forma paranoica, perdeu o emprego e foi internado.
Qual o papel do ChatGPT nessa história?
Embora o sistema da OpenAI não tenha intenção de causar danos, há críticas sobre o modo como ele responde: ele tende a “afirmar”, acompanhar o usuário e não puxar o freio em crenças perigosas ou delirantes.
Como resultado, usuários vulneráveis podem cair em um loop: compartilham crenças extremas, o modelo “acompanha” e o ciclo se reforça, a chamada “IA-psicose”.
O que a OpenAI e reguladores estão fazendo?
A OpenAI admitiu que seus modelos não captavam bem sinais de delírio ou dependência emocional. Em resposta, contratou psiquiatras-consultores e começou a trabalhar em alertas de uso prolongado. Já a FTC está analisando essas queixas e debatendo se a relação entre uso intensivo de chatbots e saúde mental deve receber maior supervisão regulatória.
Esse caso mostra que, na era dos assistentes de IA, interações aparentemente inocentes podem ter impacto real sobre a saúde mental, especialmente se o usuário está vulnerável ou em crise. Usar o ChatGPT como companheiro emocional, conselheiro espiritual ou guia de vida pode parecer inofensivo, mas os especialistas alertam: ainda existe “vidas reais em risco” se o sistema for usado como substituto de terapia ou apoio humano.
Como se proteger?
- Entenda que o chatbot é uma ferramenta de linguagem, e não substituto para terapia ou apoio profissional.
- Se as conversas estiverem gerando discursos extremos (“tenho missão divina”, “o mundo está conspirando contra mim”), procure ajuda profissional.
- Defina limites de uso: pausas frequentes, diversificar fontes, interagir com pessoas reais.
No fim, o dado de “200 reclamações” serve como alerta: não estamos diante apenas de bugs ou textos engraçados, estamos vendo como a tecnologia impacta o psicológico humano. E isso exige atenção, tanta quanto os próprios avanços tecnológicos.
















