A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concedeu, no dia 5 de agosto, Dia Nacional da Saúde, o título póstumo de pesquisador emérito a cientistas que tiveram suas trajetórias interrompidas pela perseguição política durante a ditadura militar brasileira.
Fiocruz concede título póstumo a pesquisadores perseguidos durante a ditadura.
A cerimônia homenageou Augusto Cid de Mello Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Braga e outros pesquisadores ligados à história da instituição. A iniciativa também resgatou a memória de profissionais que sofreram cassações e afastamentos durante o regime.
A homenagem ocorreu nas escadarias do Castelo Mourisco, um dos principais símbolos da Fiocruz. O local tem ainda um significado especial para a instituição porque trabalhadores perseguidos durante a ditadura retornaram ao quadro da Fundação naquele espaço há 40 anos.
Além de reconhecer os pesquisadores, a cerimônia reforçou a importância de preservar a memória institucional e científica da Fiocruz.
Segundo a instituição, os homenageados contribuíram para o desenvolvimento da ciência e da saúde pública no Brasil. No entanto, o regime militar interrompeu suas atividades profissionais e acadêmicas por razões políticas.
A perseguição política afetou diferentes áreas da sociedade brasileira após o golpe militar de 1964. Nesse contexto, pesquisadores, professores e profissionais da saúde também sofreram punições.
Na Fiocruz, alguns cientistas perderam seus cargos e precisaram interromper suas atividades. Além disso, as medidas adotadas pelo regime prejudicaram trajetórias profissionais construídas ao longo de anos de pesquisa.
Por isso, a homenagem realizada pela instituição representa também uma forma de reconhecer os impactos que a repressão provocou na ciência brasileira.
A cerimônia também marcou os 40 anos da reintegração de trabalhadores cassados à Fiocruz.
Em 1986, a instituição reincorporou profissionais que haviam sido afastados durante a ditadura. Dessa forma, o evento de 2026 estabeleceu uma conexão entre a reparação institucional e a preservação da memória histórica.
A reintegração ocorreu em um momento de redemocratização do Brasil e representou uma mudança importante na relação da instituição com os profissionais que haviam sofrido perseguição política.
Para a Fiocruz, recordar a trajetória desses pesquisadores vai além de uma homenagem individual. A iniciativa também ajuda a mostrar como a ciência e a saúde pública enfrentaram períodos de instabilidade política no país.
Além disso, o reconhecimento póstumo permite que novas gerações conheçam a contribuição de cientistas que tiveram suas carreiras interrompidas.
O evento ocorreu justamente no Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, mesma data do nascimento de Oswaldo Cruz, médico e sanitarista que dá nome à instituição.
Assim, a Fiocruz utilizou a data para destacar tanto a importância histórica da saúde pública quanto a necessidade de preservar a memória daqueles que ajudaram a construir a ciência brasileira.
Embora os pesquisadores tenham enfrentado perseguição há décadas, a homenagem da Fiocruz mostra que a instituição continua revisitando esse período de sua história.
Ao conceder o título póstumo de pesquisador emérito, a Fundação reconhece oficialmente trajetórias que sofreram interrupções por motivos políticos.
Dessa maneira, a cerimônia não apenas homenageou os cientistas, mas também reforçou o compromisso com a memória, a ciência e a história da saúde pública no Brasil.
Fonte: FioCruz






