Inédito: cientistas flagraram planetas se formando ao redor de uma estrela jovem

Pela primeira vez, astrônomos observaram diretamente os instantes iniciais da formação de planetas ao redor de uma estrela em formação: Um marco na história da astrofísica.

A estrela HOPS-315

Foto: ALMA(ESO/NAOJ/NRAO)/M. McClure et al

 

Ela é uma jovem estrela – entre 100 mil e 200 mil anos – semelhante ao Sol em seu estágio primário e está localizada a cerca de 1.400 anos-luz da Terra (13.244 trilhões de km).

Eles conseguiram combinar dados do ALMA, que é um conjunto de antenas, com observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST).

O time liderado por Melissa McClure, do Leiden Observatory:

  • detectou os primeiros grãos minerais de silício cristalinos e;
  • gás silicoso condensado, no disco que circunda a protoestrela.

Esses materiais são a evidência clara de que os primeiros planetas rochosos estavam nascendo.

A líder do time internacional, Melissa disse:

Pela primeira vez, podemos concluir que os ‘os primeiros passos’ da formação planetária estão acontecendo agora.

Fred Ciesla, da Universidade de Chicago destacou:

Esse é um dos momentos mais esperados. Há muito tempo, astrônomos têm pensado em como sistemas planetários se formam.

Histórias anteriores: HL Tauri e TW Hydrae

HL Tauri e TW Hydrae

Embora essa nova descoberta com HOPS-315 seja histórica, há precendentes importantes:

Em 2014, o ALMA registrou uma estrela com cerca de 450 anos-luz de distância em Taurus. Ela exibia anelamentos e lacunas no disco protoplanetário – sinais plausíveis de um planeta em formação, apesar de a estrela HL Tauri ter menos de 1 milhão de anos.

Catherine Vlahakis, cientista-chefe da campanha de longo alcance do ALMA, disse:

Quando vimos pela primeira vez essa imagem, ficamos de surpresos com o nível espetacular de detalhes. Mesmo tendo menos de 1 milhão de anos de idade, seu disco parecia estar cheio de planetas se formando! 

Em TW Hydrae, a apenas 175 anos-luz de distância, foram identificados gaps no disco na mesma região da órbita da Terra, sugerindo que um planeta do tipo “super-Terra”  poderia estar se formando ali.

Então, por que esta descoberta é inédita?

Podemos listar 3 motivos:

  1. Momento Zero Planetário – pela primeira vez, foi visto o início da formação de planetas rochosos, com minerais cristalinos emergindo em tempo real no disco de gás e poeira. Antes, haviam apenas indícios indiretos.
  2. Validação de teorias – as imagens confirmam modelos teóricos que relacionavam os anéis e lacunas observados ao nascimento de planetas, elevando os estudos além de simulações computadorizadas.
  3. Universalidade – Se processos como vistos em HOPS-315 forem comuns, sugere que sistemas planetários similares ao nosso Sol podem ser mais frequentes no Universo.

Portanto, este é um momento “de virada” na astronomia: pela primeira vez, o ser humano não só teorizou, mas presenciou o nascimento de planetas em tempo real. Mais do que uma imagem bonita no telescópio, representa uma janela para os futuros mundos que, ainda, estão por surgir.

Enfim, a ciência se aproxima da resposta de uma das maiores perguntas da  humanidade: como nascem os mundos – e, talvez, a vida.

 

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