
Imagina a cena: um macaco enfia as patas num teclado e começa a tacar tecla sem parar, por tempo INFINITO. Aí, por pura sorte do universo, ele digita todas as obras de Shakespeare. Parece piada científica, mas tem nome: é o famoso teorema do macaco infinito.
Na real, ele afirma que se um “macaco” (pense num gerador totalmente aleatório de letras) digitar por tempo infinito, “quase certamente” vai reproduzir qualquer texto finito, desde uma frase simples até todo o “Hamlet”. Só que esse “quase certamente” é um termo técnico em probabilidade que quer dizer: probabilidade 1. Mas, como a vida real tem limite de tempo e sem infindáveis macacos, a chance é quase zero.
É simples (mas elegante): cada letra tem uma probabilidade de ser digitada, digamos 1 em 50. Agora, a chance de aparecer uma palavra de 6 letras, como “banana”, é (1/50)6. Se você tiver muitos “blocos” independentes (vários macacos ou tempo infinito), a chance de falhar seguidamente cai enquanto a chance de sucesso se aproxima de 100%.
Olha só o estudo da Universidade de Tecnologia de Sydney: fizeram as contas com chimpanzés reais, teclados e o tempo do universo (até seu fim!), e descobriram que mesmo assim a chance é próxima de zero. Para digitar “banana”, um chimp teria 5% de sucesso. Já colocar Shakespeare completo? Probabilidade tão minúscula que chega a ser absurda, mais impossível que esperar o fim do universo.
É os dois, um blend de lógica abstrata com reflexão sobre infinito. A conclusão brinca com nossas ideias sobre acaso e criação. Como diria Borges, se você tiver tempo e situação infinitos, tudo vira biblioteca, mas é um exercício mais poético do que prático.
Fonte: Mega Curioso






