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Moçambique: por que milhares de pessoas foram obrigadas a fugir de casa?

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De acordo com uma recente reportagem publicada pela Sky News, cerca de 700.000 pessoas tiveram que abandonar Cabo Delgado, uma província no norte de Moçambique rica em petróleo e rubis.

O deslocamento, conforme informou a Organização das Nações Unidas (ONU), se deu por conta de uma onda de sérios eventos violentos, o que, consequentemente, ocasionou “uma tempestade de instabilidade”. Os residentes locais, agora, estão diante de uma série de problemas, os quais se resumem em insurgência de militantes islâmicos, falta de alimento, condições climáticas extremas, doenças e falhas governamentais.

​​Na região, há ainda uma ausência de circulação de informações confiáveis, pois os profissionais da comunicação sofrem fortes intimidações. Segundo as informações disponibilizadas pela reportagem da Sky News, a pressão sobre a imprensa começou em 2019, quando dois repórteres locais foram detidos e, hoje, por conta do livre espaçamento que a brutalidade conquista, os veículos de comunicação internacionais não podem ir até a região para realizar uma cobertura mais precisa do fato.

Diante da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus, toda a situação em Cabo Delgado – envolvendo decapitações, estupros e assassinatos – passa despercebida.

Quando tudo realmente começou?

De acordo com alguns meios de comunicação que conseguiram realizar uma coleta de dados, a crise em Cabo Delgado começou em 2017, logo após membros do grupo Ansar al-Sunna (tradução: partidários da tradição) incitar uma série de ataques ao governo e a população, que é 54% muçulmana – a maioria em Moçambique é cristã. O grupo que agora instaura medo na região formou-se, em 2015, e é administrado por um clérigo muçulmano radical queniano, que se reinstalou em Moçambique em 2012.

Ao que tudo indica, Ansar al-Sunna quer estabelecer um estado islâmico na região porque o Islão praticado em Moçambique foi corrompido e já não segue os ensinamentos do Profeta Maomé. Os membros do grupo – incontáveis – tentam impedir as pessoas de irem a hospitais ou escolas, pois consideram as instituições seculares e anti-islâmicos. A crise vivenciada em Cabo Delgado se intensifica, dia após dia, não apenas por tais proibições, mas também porque muitos dos moçambicanos que integram o Ansar al-Sunna guardam um certo rancor contra o atual governo.

Desde 2017, quando o grupo passou a clamar pela lei Sharia em Moçambique, houve inúmeros ataques a edifícios governamentais, mesquitas e incêndios. Os atos de violência se intensificaram no início da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus, em março de 2020. A calamidade se instaurou na época quando insurgentes assumiram o controle de várias aldeias, cidades e distritos. O conflito imposto por Ansar al-Sunna chegou até a cruzar a fronteira com a Tanzânia.

Envolvimento do Estado Islâmico

De acordo com a reportagem publicada pela Sky News, o Ansar al-Sunna raramente afirmam fazer parte do Estado Islâmico (EI), no entanto, integrantes do Al-Shabaab, grupo terrorista da Somália, foram contratados pelo grupo para treinar diversos de seus militantes.

Acredita-se, portante, que, mesmo o Ansar al-Sunna afirmando não fazer parte do Estado Islâmico (EI), um vinculo tenha se estabelecido. O governo de Moçambique chegou a negar tal relação até abril de 2020, mas quando o Al-Shabaab assumiu a responsabilidade pela morte de 52 moradores que se recusaram a se juntar ao e cinco meses depois declarou a ter tomado a cidade portuária de Mocímboa da Praia, o discurso não se fez mais presente.

Juntos ou não, os ataques continuam. O deslocamento maciço de moradores e as mortes também. Ao todo, mais de 2.500 pessoas perderam a vida desde que o conflito começou. Dos brutais atos, os mais comuns são as decapitações – no último ataque, que aconteceu em março, dezenas de pessoas foram encontradas mortas na cidade de Palma, um centro de logística para projetos internacionais envolvendo a produção de gás. Os residentes de Palma que conseguiram sobreviver escaparam para Pemba.

Entre 2017 e o início de 2020, cerca de 70.000 pessoas tiveram que sair da província. De acordo com a agência da ONU para os refugiados, em dezembro de 2020, mais de 530.000 pessoas (quase um quarto da população de Cabo Delgado) migraram para Nampula, Zambézia e Niassa.

A maioria conseguiu se instalar em abrigos, ou seja, muitos estão vivendo em condições inadequadas. Já uma outra parte está vivendo em acampamentos temporários. Ainda de acordo com a agência da ONU para os refugiados, muitas mulheres foram sequestradas, forçadas a casar ou a se prostituir, estupradas ou submetidas a outras formas de violência sexual – e estima-se que 15.000 estejam grávidas.

Condições extremas, COVID-19, cólera e falta de alimentos

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) revelou à Sky News que a violência está também ocasionando uma escassez de alimentos. Atualmente, em Moçambique, Cabo Delgado tem a taxa mais alta de crianças desnutridas. “A situação é terrível”, disse Lola Castro, diretora regional do PAM para a África Austral, ao pedir $ 132,4 milhões para poder fornecer uma alimentação adequada aos refugiados durante um ano.

Conforme a reportagem da Sky News informou, as autoridades conseguiram descolar recentemente um certo número de pessoas que ocupavam áreas superlotadas para um novo assentamento, no final de 2020, mas as condições ainda são críticas – principalmente por conta da pandemia, de enchentes e surtos de doenças.

O que o governo de Moçambique e o mundo estão fazendo?

Inicialmente, a polícia local tentou conter os ataques, mas à medida que a onda de violência se tornou mais frequente, algumas ações deixaram de ser deliberadas. O governo russo enviou dois helicópteros militares no final de 2019. A decisão foi uma medida baseada em um acordo de cooperação militar.

Além da intervenção Russa, a África do Sul também enviou forças especiais para ajudar, mesmo assim, os territórios vizinhos de Moçambique temem que o conflito se alastre. Governos próximos acusam fortemente o governo do Presidente Filipe Nyusi por se manter relutante em pedir ajuda.

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