Namoro no século 20 tinha regras bem perturbadoras

Quando o amor flertava com o bizarro

Hoje a gente reclama de mensagem visualizada e não respondida. Mas, no século 20, namorar envolvia rituais nada românticos. De tabuleiros místicos a leis que criminalizavam o flerte, o amor estava cercado de regras que hoje soam perturbadoras.

Quer ver como era? Então se prepare, porque esses três costumes provam que o namoro nem sempre foi sobre flores e serenatas.

1. Tabuleiro ouija como “cúmplice” do romance

Sim, aquele mesmo ouija dos filmes de terror já foi usado em encontros. Durante a Era do Jazz, nos anos 1920, quando o contato físico entre casais ainda era tabu, o tabuleiro virou desculpa para rolar um “toque estratégico”. Afinal, para mover a peça que indicava as letras, homens e mulheres precisavam encostar os dedos.

Antes disso, o ouija já tinha sido popular nos Estados Unidos do pós-Guerra Civil, vendido até em bancas de jornal como uma forma de “falar com os mortos”. Mas em festas, a função era outra: aproximar gente interessada em muito mais do que ouvir espíritos.

2. As “Charity Girls” presas por namorar

No início do século 20, principalmente na década de 1910, mulheres que aceitavam sair para encontros casuais podiam acabar atrás das grades. O Estado acreditava que elas não eram muito diferentes de prostitutas, mesmo sem cobrar nada. Por isso, foram apelidadas de “Charity Girls” (garotas da caridade).

Olha o absurdo: enquanto profissionais do sexo protestavam contra elas, acusando-as de “prejudicar os negócios”, a polícia via o namoro como uma ameaça social. Resultado? Prisões, internações em hospitais psiquiátricos e até reformatórios para mulheres cujo “crime” era… querer se divertir.

Até empresários milionários, como John D. Rockefeller Jr., financiaram investigações para tentar conter essa tendência. Ou seja: namorar era praticamente um ato de rebeldia.

3. Propaganda e lavagem cerebral nos encontros

Depois da Segunda Guerra Mundial, a juventude passou a ser “educada” por meio dos chamados filmes de higiene mental. Parece coisa inocente, mas a intenção era controlar como os jovens deviam agir, inclusive nos encontros amorosos.

Um exemplo é o curta Dating Do’s and Don’ts, de 1949. Nele, um rapaz encontra ingressos para um parque e recebe “lições” sobre como escolher a garota certa, convidá-la para sair e até como se comportar no encontro. Tudo isso com a sutileza de um manual de instruções.

Segundo pesquisadores como Ken Smith, que estudou o tema, esses filmes não serviam para ensinar respeito, mas sim para moldar cidadãos obedientes, domesticados e sem espaço para questionamento. O resultado? Namoro virava uma ferramenta de propaganda social.

Comparar o século 20 com os dias de hoje é quase surreal. Se antes havia reformatórios para garotas que saíam para dançar, hoje temos aplicativos onde um deslize para a esquerda define o futuro do “date”.

Essas histórias bizarras mostram que o amor sempre esteve preso a regras sociais. A diferença é que, agora, temos mais liberdade, ainda que o fantasma do ouija talvez ache tudo rápido demais.

Então, da próxima vez que você reclamar de um encontro ruim, pense: poderia ser pior. Você podia estar preso por ser uma “Charity Girl” ou obrigado a assistir um filme educativo antes de beijar alguém.

Fonte: Mega Curioso

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