Ciência e Tecnologia

O homem com paralisia consegue se comunicar com 95% de precisão com uso de nova tecnologia

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Human brain and waves, conceptual computer artwork. The front of the brain is at bottom.

Um dispositivo tecnológico que transforma pensamentos em texto permitiu que um homem que ficou paralisado por conta de um acidente voltasse a se comunicar normalmente. Segundo uma reportagem do portal de notícias NPR, toda a comunicação se estabeleceu por meio de frases curtas, as quais apareciam na tela de um computador. Todas as sentenças eram formuladas por um dispositivo eletrônico conectado ao paciente.

De acordo com a equipe que trabalhou na construção do protótipo, o homem foi capaz de se comunicar com 95% de precisão ao imaginar que estava escrevendo cartas em uma folha de papel. “Surpreendentemente, descobrimos que o dispositivo é capaz de digitar cerca de 90 caracteres por minuto”, disse Krishna Shenoy, da Universidade de Stanford e do Howard Hughes Medical Institute.

Em fase experimental

“O dispositivo, ainda em fase experimental, seria mais útil para alguém que não consegue se mover e nem falar”, revela Jaimie Henderson, neurocirurgião de Stanford e parceiro de trabalho de Shenoy no Laboratório de Próteses Neurais, de Stanford. “O aparelho também pode ser usado por alguém que pode ter sofrido uma lesão na medula espinhal, por exemplo, ou até mesmo por um programador que, por alguma fatalidade, tenha ficado com alguma sequela grave, mas deseja voltar ao trabalho”.

Por conta dos sucessivos êxitos em testes, Henderson e Shenoy revelaram que têm total interesse em comercializar a abordagem experimental usada para a decodificação de sinais cerebrais.

Para John Ngai, que dirige a Iniciativa BRAIN, do National Institutes of Health, que ajudou a financiar a pesquisa, a ideia de decodificar a atividade cerebral com base na escrita é simplesmente brilhante. “Mesmo sendo algo incrível, precisamos fazer certos ajustes, precisamos aprimorar mais ainda o dispositivo. Porém, os últimos testes que foram realizados no laboratório mostram que podemos mudar a vida de muitas pessoas”, diz Ngai. “Portanto, no momento, o que precisamos fazer é focar em alguns detalhes”.

Testes

De acordo com as informações que constam na reportagem publicada pelo portal de notícias NPR, o homem que concordou em participar dos testes com o dispositivo não consegue mover os braços e as pernas. “O participante ficou com o corpo paralisado após sofrer um acidente. Tudo aconteceu quando foi jogar o lixo fora. Ele escorregou, caiu e instantaneamente ficou tetraplégico”, diz Henderson.

Os testes, que integram um estudo de um sistema experimental chamado BrainGate2, começaram a ser realizados há dois anos e incitam pessoas paralisadas a controlarem computadores e outros dispositivos tecnológicos usando apenas a mente.

Para funcionar, o sistema depende de eletrodos, implantados de forma cirúrgica na região do cérebro que controla o movimento. Em estudos anteriores, os participantes aprenderam a controlar o cursor de computador ou um braço robótico – tudo isso, como dissemos, com o pensamento.

Para alavancar ainda mais o experimento, Henderson, Shenoy e a equipe de cientistas fizeram o indivíduo imaginar que estava escrevendo cartas enquanto um computador monitorava a atividade elétrica em seu cérebro. Nesse intervalo, o computador aprendeu a decodificar os distintos padrões que surgiram durante a atividade, associando-os a cada letra do alfabeto, bem como a vários símbolos.

Antes

Em experimentos anteriores, os participantes utilizaram o pensamento para “apontar e clicar” em letras dispostas em uma tela. A antiga abordagem, em se tratando de viabilizar uma comunicação, era altamente impraticável.

Com o novo teste, instaurar uma comunicação de forma fácil e concisa tornou-se mais viável. “Ele ficou muito feliz quando conseguiu responder às perguntas que fizemos”, disse Henderson. “Ele estava muito animado”.

“O sucesso que obtivemos com a decodificação da atividade cerebral é o mais recente avanço”, revela Ngai. “Fui apresentado a esse conceito há mais de 10 anos e achei que era um pouco, digamos, ficção científica. Cerca de cinco anos depois, percebi que não era. Hoje vejo o quanto estamos progredindo. É realmente muito empolgante”.

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