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Quem está lucrando com a escravidão no Brasil?

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É impensável que até nos dias de hoje pessoas vivem em situações análogas à escravidão, mas infelizmente casos assim ainda existem. O pior de tudo são as justificativas dadas para a existência desse regime, como por exemplo, “falta de mão de obra”.

Esse argumento foi usado pelo Centro de Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG) na tentativa de justificar o fato de que 207 trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão. Esse resgate foi feito na colheita de uvas que seriam usadas pelas marcas Salton, Garibaldi e Aurora. O pior de tudo é que isso não aconteceu muito tempo atrás, sendo recentemente, no último dia 22 de fevereiro.

Como se isso não fosse ruim o suficiente, a história não para por aí. A nota que eles emitiram afirmava que a falta de mão de obra justificaria essa escravidão de mais de 200 pessoas, e isso era consequência do que o CIC-BG chamou de “um sistema assistencialista que nada tem de salutar para a sociedade”.

Em outras palavras, segundo o CIC-BG, essas empresas do Rio Grande do Sul decidiram usar essa mão de obra análoga à escravidão por causa de programas assistenciais como o Bolsa Família.

Escravidão moderna

CSB

Isso mostra como os setores conservadores do nosso país conseguem surpreender a todos, mesmo que essa “surpresa” tenha um fundo bastante conhecido, que é a percepção de um mundo que se baseia na desigualdade. Mundo esse onde o pobre é pobre e deve ser tratado dessa forma. E se essa pessoa além de pobre for preta e nordestina, o tratamento é ainda pior.

De acordo com relatos, a promessa feita era de salários maiores do que três mil reais e tendo alimentação e lugar para dormir pagos. No entanto, a realidade da jornada de trabalho era de 15 horas, a comida era estragada, os trabalhadores não podiam sair dos alojamentos onde estavam, adquiriam dívidas e ainda recebiam castigos corporais. No caso dessas punições, no lugar do chicote era usado spray de pimenta e choques elétricos.

Problema persistente

Oi tchau

É impossível não se indignar com casos como esse, mas o pior é saber que ele não foi o primeiro e dificilmente será o último no nosso país. E o Centro de Indústria, Comércio e Serviço, que representa as vítimas das vinícolas do Rio Grande do Sul, pontuou que infelizmente esse problema é historicamente construído.

Vendo a nota divulgada para tentar justificar uma prática que não tem justificativa é possível fazer uma relação entre o CIC-BG e o Centro de Lavoura e Comércio (CLC), fundado no século XIX, no qual participavam os maiores cafeicultores do Brasil.

Dentre as ações do CLC estava o financiamento das Exposições Universais a partir de 1881. Com isso eles queriam mostrar que a lavoura era o futuro do país e que o Brasil da década de 1880 tinha se modernizado, mesmo continuando a usar mão de obra escrava. A modernização era que os escravos estavam trabalhando de uma maneira mais asséptica e ordenada.

Na época em que o CLC assumiu os estandes brasileiros nas Exposições Universais, nosso país era o único que ainda mantinha a escravidão nas Américas.

Mesmo tendo mais de 150 anos entre a atuação do CLC e do CIC-BG, e nesse meio tempo tendo a abolição da escravidão, instauração da República e várias mudanças na sociedade, a defesa da escravidão, ou uma desculpa para tentar justificar algo impensável, ainda é o ponto que une esses dois centros brasileiros de promoção da lavoura nacional.

Autoridades e sociedade

Master juris

Felizmente os órgão públicos têm suas ações de resgate das pessoas que trabalham em condições análogas à escravidão. Contudo, muito ainda tem que ser feito nesse ponto.

Além disso, a sociedade também tem que estar vigilante às empresas que usam esse tipo de trabalho e parar de consumir os seus produtos.

Outras ações que os governos dos estados também podem tomar com relação às empresas que usam esse tipo de trabalho são a cassação de licenças e multas gigantescas.

Outro ponto importante são as políticas públicas de redistribuição de renda, muitas vezes chamadas de assistencialistas. Em um país como o nosso, que é desigual de propósito, são essas políticas que garantem o mínimo de dignidade para as pessoas e fazem com que elas possam ter uma margem mínima de negociação no possível trabalho.

Fonte: MSN

Imagens: CSB, Oi tchau, Master juris 

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