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Sem celular e com spray de pimenta: a rotina dos vizinhos da cracolâdia

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O crack é a forma de cocaína mais viciante e também a com maior potencial de vício de todas as drogas. Justamente por isso que quem usa uma vez logo se vicia. O número de pessoas dependente dessa droga é tão alto que uma grande concentração dessas pessoas está no lugar que se chama de cracolândia.

A cracolândia está instalada na praça Princesa Isabel, no centro de São Paulo, e mudou completamente a rotina dos vizinhos do local.  O dia a dia da região é cercado pela venda de drogas e assaltos em plena luz do dia. Por conta disso, os moradores e comerciantes evitam andar pela região à noite e se protegem da forma como podem.

Além disso, a região tem operações frequentes para tentar amenizar a situação, como uma feita na quarta-feira, que retirou as barracas montadas no local. No entanto, os usuários permaneceram nos arredores da praça. Na terça-feira, uma ação de rotina da GCM acabou em quebra-quebra.

Cracolândia

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Além dos usuários de drogas, na região também existam famílias e pessoas em situação de rua. Por isso que no momento das ações, essas pessoas podem ser agredidas também. “Eu só disse que eu não estava na ‘cracolândia’ e ele me agrediu. Foi uma covardia”, disse um morador de rua que foi agredido por um golpe de cassetete. Esse caso está sendo investigado pela GCM.

No caso dos moradores vizinhos da cracolândia, uma delas é a artista plástica Hexe Alenski, de 28 anos. À tarde, ela caminha em meio ao usuários de drogas na avenida Duque de Caxias para chegar até onde ela mora, que é em frente à praça Princesa Isabel. No entanto, ela diz que evita sair de casa e carrega sempre um spray de pimenta junto com sua chave em sua mão.

“Quando me mudei para cá, não imaginava que a ‘cracolândia’ ficaria no meu quintal. Saio de casa sem celular e sem carteira, só com sacola para as compras, dinheiro na pochete e a chave com spray de pimenta”, contou.

Rotina

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Quando Hexe se mudou, em dezembro do ano passado, a cracolândia ficava na praça Júlio Prestes, a dois quarteirões de distância, do outro lado da avenida Rio Branco.

Contudo, com a mudança de lugar, Hexe conta que nos últimos dois meses, quando a feira livre de drogas começou a funcionar em frente à sua casa, ela começou a ver uma rotina de assaltos da sua janela, além da fuga em massa dos usuários quando a polícia chegava.

“Todo dia é o mesmo esquema. Quando a polícia chega, os usuários de drogas correm. Mas logo voltam. Já vi assaltos até com agressões. Mas a cena mais chocante foi quando vi um motorista ser retirado do carro, levado por pessoas que estavam na ‘cracolândia’. É aquela sensação de impotência, de não ter para onde correr”, disse ela.

Mesmo que as barracas tenham sido tiradas da praça, a artista plástica ainda duvida que seja a saída definitiva dos usuários de droga do local. “Saída? Não acredito nisso. Eles vão voltar”, ressaltou.

Medo

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Assim como a artista plástica, mesmo sem as barracas, o ambiente ainda era de medo entre os moradores e comerciantes da rua Guaianases, em frente à praça Princesa Isabel.

Com relação ao comércio, um mercado, por exemplo, passou a ter sua clientela quase que exclusivamente formada pelos próprios dependentes químicos.

“Aqui, cada dia é um dia. Se eles ficam muito violentos, a gente tem que fechar. Se tem movimentação da polícia, a gente tem que fechar. Senão, eles quebram e saqueiam”, disse o atendente André Oliveira.

O atendente tem mais de dez anos na região e disse que o convívio com os usuários de droga é difícil. Além disso, segundo ele, a situação piorou quando a cracolândia se instalou na praça Princesa Isabel.

“Eles saqueiam os carros e os pedestres. Quando a polícia chega, fogem. Mas levam 30 segundos para montar de novo as barracas. É mais rápido do que esquentar uma coxinha aqui no micro-ondas”, concluiu ele.

Fonte: UOL

Imagens: UOL

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