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Será possível conversar com os pets? Cientistas usam IA para ouvir animais

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Quem ama animais com certeza já quis um dia poder falar com eles e entender o que eles estavam dizendo. Por mais que palavras ainda não tenham sido compreendidas, é sabido que as vacas mugem com sotaques, os macacos fazem sons específicos para as ameaças que sofrem, os camundongos cantam e os grilos gritam por sexo.

Além disso, recentemente um estudo mostrou que os “cliques” nas vocalizações dos cachalotes são como as vogais na nossa fala. Por conta disso, esses animais podem se comunicar com padrões de vogais a e i.

Por ser um tópico bem interessante, os cientistas estão usado cada vez mais ferramentas de inteligência artificial (IA) para fazer o estudo das vocalizações dos animais, principalmente os sistemas de comunicação complexos.

Ferramentas de IA

Github

Tanto é que, nos últimos anos, foi visto um boom no entendimento da comunicação animal graças, em boa parte, à IA. Ela deu aos pesquisadores a possibilidade de analisar grandes volumes de dados de áudios de animais em segundos. Se esse trabalho fosse feito por humanos, levaria décadas.

As ferramentas de IA que fazem essas análises são várias. Uma delas é o DeepSqueak, uma ferramenta de aprendizado automático que decodifica a conversa de roedores. Ele faz a identificação das “vozes” dos roedores a partir de dados de áudio brutos, faz a comparação das vocalizações com características parecidas e dá informações a respeito do comportamento dos animais.

“Os ratos usam vocalizações ultrassônicas. Sons agudos de 50 quilohertz (kHz) foram descritos como semelhantes a uma risada, mas há muitos tipos desses sons feitos em diferentes situações positivas, como brincadeiras, cortejo ou até mesmo durante a ‘viagem’ de uma dose de drogas”, disse Kevin Coffey, neurocientista da Universidade de Washington, Estados Unidos, que ajudou no desenvolvimento da ferramenta.

Os ratos também emitem sons de 22kHz usados nas situações negativas, como por exemplo, quando estão com dor ou doentes. Então, Coffey usa as frequências para saber quando determinado experimento está fazendo mal aos seus ratos de laboratório.

Esses sons não são ouvidos por humanos porque eles estão fora da faixa de frequência que o ouvido humano consegue escutar. Contudo, tanto o DeepSqueak como outras ferramentas de IA podem ajudar nessa decodificação.

“As ferramentas de IA e de aprendizagem profunda não são mágica. Elas não vão traduzir de repente todos os sons dos animais para o inglês. O trabalho árduo está sendo feito por biólogos que precisam observar os animais numa infinidade de situações e associar os sons a comportamentos, emoções, etc.”, pontuou o neurocientista.

Animais têm linguagem?

Khan academy

Essencialmente, a comunicação se dá pela troca de informações. Logo, todos os animais se comunicam de alguma maneira, seja por cheiros, feromônios, comportamentos ou vocalizações.

Contudo, a ideia de que os animais tenham uma linguagem própria é debatida por conta da maneira que os humanos enxergam a linguagem e sua função na sociedade.

O fato é que, até onde é sabido, os animais têm sim formas de linguagem. No entanto, os diálogos das baleias cachalotes ou as comunicações simbólicas dos macacos não se comparam com toda a riqueza vista na linguagem humana.

“A linguagem é um kit de ferramentas particularmente avançado para comunicação, que parece ser exclusivo dos humanos”, disse Coffey.

Entretanto, os antropólogos afirmam que a linguagem humana é única por conta da sua capacidade de criar e manter crenças, relacionamentos e identidades culturais. Além disso, ela também dá a possibilidade de expressar pensamentos e sentimentos íntimos para que os outros entendam. É acreditado que outros animais não consigam fazer isso através de suas ações ou vocalizações.

De acordo com algumas teorias, a consciência humana, e a versão metafórica mais elevada da consciência se desenvolveu junto com a capacidade da linguagem.

“Discute-se sobre o que define exatamente a linguagem, e se alguns elementos da comunicação animal são semelhantes à linguagem humana. Os roedores que estudamos são certamente muito sociais e muito comunicativos. As vocalizações que produzem são altamente variadas e carregam diferentes tipos de informação, mas eu ainda não as consideraria uma linguagem”, disse Coffey.

Por que ouvi-los?

Ambiental turismo

Compreender a comunicação dos animais não é um ponto apenas da curiosidade humana. Na visão de Coffey, a IA pode ser um benefício para os animais. “Pessoalmente, eu gostaria de melhorar a vida dos animais de laboratório e aumentar a taxa de descobertas traduzíveis em neurociência. Entender a comunicação dos roedores no laboratório é uma peça desse quebra-cabeça”, pontuou.

A IA é usada por outros cientistas e organizações para monitorar a biodiversidade de animais na natureza. No caso dos pesquisadores da Universidade de Würzburg, na Alemanha, eles usaram microfones para gravar paisagens sonoras de florestas tropicais e fizeram a análise da cacofonia de vocalizações dos animais para conseguirem acompanhar a restauração da biodiversidade.

O Earth Species Project (ESP) também usa a IA para o monitoramento da biodiversidade. Esse projeto acredita que “uma compreensão das linguagens não humanas transformará nosso relacionamento com o resto da natureza”.

Fonte: UOL

Imagens: Github, Khan Academy, Ambiental turismo

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