Terapia do luto: quando é necessário buscar ajuda depois de perder uma pessoa?

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesoutubro 31, 2024

Das poucas certezas da vida, a morte, infelizmente é uma delas. Contudo, mesmo que todos saibam que em determinado momento ela irá chegar, isso não quer dizer que lidar com ela seja uma coisa fácil. A perda de uma pessoa é um processo que exige adaptação a uma nova realidade e, muitas vezes, a pessoa também precisa de um apoio psicológico para conseguir lidar tanto com as mudanças como com os sentimentos que aparecem durante o luto. Aí entra a terapia do luto.

“O acompanhamento psicológico pode ajudar o enlutado a identificar o que se perdeu com a morte de uma pessoa querida e a como se reposicionar na vida diante dessa ausência. O luto é um trabalho ativo realizado pela pessoa e apoiado pelo profissional”, disse Mônica Venâncio, psicóloga e coordenadora do ambulatório do Luto do Hospital Universitário Prof. Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Por conta disso que a terapia do luto pode ser algo essencial para que a pessoa lide com os sentimentos e com a falta de disposição. “Trata-se de um espaço seguro e acolhedor que a pessoa enlutada precisa para ter sua dor abraçada e reconhecida. Nesse processo, ela passa a conhecer seu luto, entender seus sentimentos, dar colo à sua dor e construir formas saudáveis de conviver com o luto, de se cuidar e de se reconstruir”, explicou Amanda Ferreira, psicóloga com formação em psicologia da perda e do luto.

O primeiro ponto é o terapeuta entender qual foi o vínculo que se rompeu, como a relação entre as pessoas envolvidas era e como a pessoa que ficou está lidando com aquela perda.

“O paciente vai construindo uma narrativa sobre a sua relação com a pessoa que morreu (ou partiu). O enlutado começa a explicar seus sentimentos, o significado que está atribuindo a essa perda e o que está fazendo para lidar com a presença da ausência. O terapeuta usa diversos recursos, além da escuta acolhedora”, afirmou Samantha Mucci, psicóloga e coordenadora do Proalu (Programa de Acolhimento do Luto) da Unifesp.

Recursos e técnicas usadas na terapia do luto

Facilita seguros

De acordo com as especialistas, o luto é uma experiência singular. Por conta disso, as interações com cada paciente devem ser individualizadas. Por exemplo, várias vezes para que o luto seja superado, ou seja lidado de forma melhor, é necessário entender os diferentes estágios da dor e os sentimentos que surgem, como por exemplo, tristeza, raiva, culpa e confusão.

O trabalho do terapeuta é ajudar a pessoa de luto a entender que não existe uma maneira certa de reagir, além de ajudar a pessoa a se adaptar à realidade nova, mas respeitando o tempo dela.

Na terapia do luto, alguns recursos terapêuticos são usados para ajudar no processo de aceitação e ressignificação da perda significativa.

Storytelling

Essa técnica usa as narrativas pessoais para ajudar as pessoas a processarem e entenderem a experiência da perda. Quando o terapeuta encoraja o enlutado a compartilhar suas histórias, isso dá uma oportunidade de explorar emoções complexas, encontrar sentido na dor e construir uma nova narrativa depois da perda.

“Ajuda os enlutados a dar sentido à perda, abordando o legado do falecido e o impacto da ausência, o que facilita a aceitação e a resiliência. Compartilhar essas narrativas em grupos ou com terapeutas promove conexão e compreensão, essencial para o apoio emocional. Também auxilia na reconstrução da identidade do enlutado, permitindo que ele encontre um novo propósito e uma direção após a perda”, explicou Mucci.

Técnicas de visualização

Ela dá ao enlutado a possibilidade de imaginar interações ou conversas com a pessoa que morreu, dando uma sensação de conexão. Através dessas práticas a pessoa pode acessar emoções complexas como culpa e tristeza. Além de promover a aceitação da perda e oferecer conforto e diminuir a ansiedade. A técnica também faz com que o enlutado reviva memórias felizes e celebre o legado deixado pelo falecido.

Escrita terapêutica e rituais de memória 

Através de diários ou cartas a pessoa pode expressar seus sentimentos não ditos e refletir a respeito da relação. Enquanto que fazer rituais, como acender velas, pode ser uma forma de honrar a memória daquele que se foi.

Terapia em grupo

Outra forma de elaborar o luto é compartilhar experiências, sentimentos e desafios com outras pessoas que estão passando por coisas parecidas. Através da interação, as pessoas podem se sentir menos isolados na dor.

Quando procurar ajuda?

Escola freudiana de Vitória

“De forma geral, é necessário buscar ajuda profissional durante o luto quando a pessoa tem dificuldade em expressar sentimentos, o humor está sempre alterado, quando há pouco ou nenhum suporte social, além do fato da perda ter causado impactos intensos e constantes na rotina”, pontuou Ferreira.

Na visão das especialistas, o esperado é que com o tempo o enlutado volte a se interessar pelas atividade que lhe davam prazer antes e comece a dar mais atenção aos outros relacionamentos.

“O trabalho do luto envolve dor e é um processo que se dá ao longo do tempo. Seguir amando a pessoa falecida não implica, necessariamente, em um luto inacabado. Comover-se diante de lembranças e datas significativas pode ser uma maneira de conferir lugar à relação que existiu com a pessoa que se foi”, complementou Venâncio.

Fonte: VivaBem

Imagens: Facilita seguros, Escola freudiana de Vitória

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