
Das poucas certezas da vida, a morte, infelizmente é uma delas. Contudo, mesmo que todos saibam que em determinado momento ela irá chegar, isso não quer dizer que lidar com ela seja uma coisa fácil. A perda de uma pessoa é um processo que exige adaptação a uma nova realidade e, muitas vezes, a pessoa também precisa de um apoio psicológico para conseguir lidar tanto com as mudanças como com os sentimentos que aparecem durante o luto. Aí entra a terapia do luto.
“O acompanhamento psicológico pode ajudar o enlutado a identificar o que se perdeu com a morte de uma pessoa querida e a como se reposicionar na vida diante dessa ausência. O luto é um trabalho ativo realizado pela pessoa e apoiado pelo profissional”, disse Mônica Venâncio, psicóloga e coordenadora do ambulatório do Luto do Hospital Universitário Prof. Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Por conta disso que a terapia do luto pode ser algo essencial para que a pessoa lide com os sentimentos e com a falta de disposição. “Trata-se de um espaço seguro e acolhedor que a pessoa enlutada precisa para ter sua dor abraçada e reconhecida. Nesse processo, ela passa a conhecer seu luto, entender seus sentimentos, dar colo à sua dor e construir formas saudáveis de conviver com o luto, de se cuidar e de se reconstruir”, explicou Amanda Ferreira, psicóloga com formação em psicologia da perda e do luto.
O primeiro ponto é o terapeuta entender qual foi o vínculo que se rompeu, como a relação entre as pessoas envolvidas era e como a pessoa que ficou está lidando com aquela perda.
“O paciente vai construindo uma narrativa sobre a sua relação com a pessoa que morreu (ou partiu). O enlutado começa a explicar seus sentimentos, o significado que está atribuindo a essa perda e o que está fazendo para lidar com a presença da ausência. O terapeuta usa diversos recursos, além da escuta acolhedora”, afirmou Samantha Mucci, psicóloga e coordenadora do Proalu (Programa de Acolhimento do Luto) da Unifesp.

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De acordo com as especialistas, o luto é uma experiência singular. Por conta disso, as interações com cada paciente devem ser individualizadas. Por exemplo, várias vezes para que o luto seja superado, ou seja lidado de forma melhor, é necessário entender os diferentes estágios da dor e os sentimentos que surgem, como por exemplo, tristeza, raiva, culpa e confusão.
O trabalho do terapeuta é ajudar a pessoa de luto a entender que não existe uma maneira certa de reagir, além de ajudar a pessoa a se adaptar à realidade nova, mas respeitando o tempo dela.
Na terapia do luto, alguns recursos terapêuticos são usados para ajudar no processo de aceitação e ressignificação da perda significativa.
Storytelling
Essa técnica usa as narrativas pessoais para ajudar as pessoas a processarem e entenderem a experiência da perda. Quando o terapeuta encoraja o enlutado a compartilhar suas histórias, isso dá uma oportunidade de explorar emoções complexas, encontrar sentido na dor e construir uma nova narrativa depois da perda.
“Ajuda os enlutados a dar sentido à perda, abordando o legado do falecido e o impacto da ausência, o que facilita a aceitação e a resiliência. Compartilhar essas narrativas em grupos ou com terapeutas promove conexão e compreensão, essencial para o apoio emocional. Também auxilia na reconstrução da identidade do enlutado, permitindo que ele encontre um novo propósito e uma direção após a perda”, explicou Mucci.
Técnicas de visualização
Ela dá ao enlutado a possibilidade de imaginar interações ou conversas com a pessoa que morreu, dando uma sensação de conexão. Através dessas práticas a pessoa pode acessar emoções complexas como culpa e tristeza. Além de promover a aceitação da perda e oferecer conforto e diminuir a ansiedade. A técnica também faz com que o enlutado reviva memórias felizes e celebre o legado deixado pelo falecido.
Escrita terapêutica e rituais de memória
Através de diários ou cartas a pessoa pode expressar seus sentimentos não ditos e refletir a respeito da relação. Enquanto que fazer rituais, como acender velas, pode ser uma forma de honrar a memória daquele que se foi.
Terapia em grupo
Outra forma de elaborar o luto é compartilhar experiências, sentimentos e desafios com outras pessoas que estão passando por coisas parecidas. Através da interação, as pessoas podem se sentir menos isolados na dor.

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“De forma geral, é necessário buscar ajuda profissional durante o luto quando a pessoa tem dificuldade em expressar sentimentos, o humor está sempre alterado, quando há pouco ou nenhum suporte social, além do fato da perda ter causado impactos intensos e constantes na rotina”, pontuou Ferreira.
Na visão das especialistas, o esperado é que com o tempo o enlutado volte a se interessar pelas atividade que lhe davam prazer antes e comece a dar mais atenção aos outros relacionamentos.
“O trabalho do luto envolve dor e é um processo que se dá ao longo do tempo. Seguir amando a pessoa falecida não implica, necessariamente, em um luto inacabado. Comover-se diante de lembranças e datas significativas pode ser uma maneira de conferir lugar à relação que existiu com a pessoa que se foi”, complementou Venâncio.
Fonte: VivaBem
Imagens: Facilita seguros, Escola freudiana de Vitória






