Ciência e Tecnologia

A Terra estará dessa maneira daqui 100 anos (se tivermos sorte)

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No atual momento de nossas vidas você, com certeza, já está plenamente consciente de como o mundo está quente. Mas, no caso de ainda não estar, acredite, está muito, muito quente. Na verdade, o ano de 2016 é, provavelmente, o ano mais quente já registrado, aumentando 1,3 graus Celsius (2,3 graus Fahrenheit) acima das médias pré-industriais.

O que é um mau sinal, daqueles bem grandes. Porque nos traz para bem perto do limite estabelecido, pelos formuladores de políticas internacionais para o aquecimento global, que é de 1,5 graus Celsius (2,7 graus Farenheit. O cientista do clima e diretor do Goddard Institute of Space Studies, da NASA, Gavin Schmidt, disse ao Business Insider que: “Não há como parar o aquecimento global, tudo o que aconteceu até agora foi cozido no sistema.”

Isso significa que, mesmo se as emissões de carbono caírem para zero amanhã, ainda estaríamos assistindo alterações climáticas causadas pela ação humana, durante séculos. E, como bem sabemos, as emissões de gases não vão parar amanhã. Assim, a principal a se fazer agora, de acordo com Schmidt, é tentar abrandar as alterações climáticas, tentando nos adaptar a elas da melhor forma possível. Preferencialmente a mais indolor, também.

Iceberg, Chris Huhne

O aquecimento seria o fim dos polos?

É mais ou menos com isso que a Terra se assemelharia daqui a 100 anos, se fizermos algo, como grandes avanços nas energias renováveis e tecnologias para captura de carbono. De qualquer maneira, Schmidt é otimista sobre conseguirmos nos manter entre os 2 graus Celsius, acima dos níveis pré-industriais – a ONU espera evitar que esse nível de temperatura suba.

Vamos supor que estaremos entre dois alvos, no final deste século estaremos olhando para um mundo no qual será, em média, mais ou menos 3 graus acima do que temos agora. Mas a temperatura média da superfície por si só não irá capturar totalmente a mudança climática.

Anomalias de temperatura – ou quanto a temperatura de uma determinada área será alterada “normalmente” naquela região – vai acontecer descontroladamente. Por exemplo, a temperatura no inverno passado no Círculo Polar Ártico ficou acima de zero por um dia. Temperatura que ainda pode parecer terrivelmente fria para nós brasileiros mas, extremamente quente para o Ártico.

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O que aconteceria com os oceanos?

Essa é uma anomalia, do tipo que começará a acontecer com muita frequência. Isso significa que, num ano como esse, que teve a menor extensão de gelo marinho já registrada, se tornará algo comum. Em 2050, Summers, na Groenlândia pode acabar com gelo nenhum. Mesmo em 2015, nada se comparava com 2012, quando 90% das camadas de gelo da Groenlândia derreteram no verão. Mas, dado o estrago já feito, poderíamos ver esse tipo de extremo derretimento a cada seis anos, até o final do século. Pelo lado positivo, o gelo na Antártica permanecerá relativamente estável, fazendo contribuições mínimas para a elevação do nível do mar.

Mas, em cenários favoráveis, os oceanos estão a caminho do aumento de seu nível entre 0,6096 e 0,9144 metros, até o ano de 2100. Mesmo uma elevação do nível do mar abaixo de um metro poderia deslocar até 4 milhões de pessoas. Não haveria apenas menos gelo nos polos mas, também, acidificariam os trópicos.

Os oceanos absorvem cerca de um terço de todo o dióxido de carbono da atmosfera, causando mais aquecimento, tornando-o mais ácido. Se as alterações climáticas continuarem a grassar, praticamente todos os habitats de recifes de corais seriam devastados. De acordo com a melhor das hipóteses, metade de todos os recifes de corais tropicais estão ameaçados. Mas os oceanos não serão o único lugar a aquecer.

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Qual seria, mais ou menos, o aumento de temperatura na Terra?

Mesmo que as emissões sejam reduzidas, os verões nos trópicos poderiam aumentar drasticamente seus dias de calor, depois de 2050. Mais para o norte, os dias do ano serão entre 10% e 20% mais quentes. Agora, compare isso com o cenário usual dos trópicos, que já são “indecentemente” quentes no verão. Nas zonas temperadas serão, mais ou menos, 30% mais quente do que agora.

Mesmo que o aumento da temperatura seja pouco, isso irá afetar (e muito) os recursos hídricos. Em um artigo de 2013, cientistas usaram modelos para estimar que no mundo poderão haver secas mais frequentes do que se imagina – um aumento de aproximadamente 10%. Se não for controlada, a mudança climática poderia causar graves secas por cerca de 40% de toda a Terra, o dobro do que é hoje.

Sem contar que, ainda, tem o “tempo”. Se o extremo evento El Niño de 2015-2016 foi qualquer indicação, nós estaremos prestes a desastres naturais muito mais extremos. As mais extremas tempestades, incêndios e ondas de calor fazem parte do “menu” de 2070 para frente.

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Nesse momento, a humanidade está em pé sobre um precipício, podemos ignorar os sinais de alerta e continuar poluindo descontroladamente, para alcançarmos o que Schmidt prevê como um “planeta muito diferente” – para ter uma ideia, o mais diferente e recente clima da atualidade é a era glacial. Ou, podemos inovar soluções.

Muitos dos cenários aqui expostos assumem que alcançaremos emissões negativas em 2100 – ou seja, estamos absorvendo mais do que emitindo através da tecnologia de captura de carbono. Schmidt diz que somos susceptíveis a atingir, em 2100, um planeta entre o “um pouco mais quente do que hoje e muito mais quente do que hoje.”

O problema é a diferença entre o “pouco” e “muito”, o que na escala da Terra significaria a perda ou a salvação de milhões de vidas.

Então pessoal, o que vocês acharam da matéria? Será que vale a pena reforçarmos o pensamento sobre nosso futuro? Ou talvez começar a pensar? Encontraram algum erro? Possuem dúvidas? Sugestões? Não se esqueçam de comentar com a gente!

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