O que seria uma extinção em massa?
O estudo que reacendeu o alerta
Pesquisadores das universidades de Leeds e Bristol (Reino Unido) publicaram um estudo sugerindo que, com o passar de milhões de anos, os continentes devem se unir novamente formando um supercontinente chamado Pangeia Última. Esse rearranjo continental mudaria completamente os ventos, os oceanos e a distribuição do calor solar, elevando as temperaturas médias globais a níveis devastadores para a vida.
De acordo com os modelos, a Terra pode chegar a ter temperaturas médias acima dos 40 °C em grandes regiões. A consequência direta? Um planeta onde mamíferos (incluindo os humanos) não conseguiriam mais regular a temperatura corporal, levando à extinção gradual de grande parte das espécies atuais.
Mas o “fim” já começou?
Embora esse cenário de 250 milhões de anos pareça distante, cientistas alertam que o processo de degradação ecológica já está em curso. A destruição de habitats, a acidificação dos oceanos e o aquecimento acelerado do clima indicam que estamos no início de uma sexta extinção em massa, desta vez causada pela própria humanidade.
Um estudo publicado pela Universidade Stanford mostrou que o ritmo atual de desaparecimento de espécies é dezenas de vezes superior ao natural.
“A diferença é que agora nós somos o asteroide”, comparou o ecólogo Gerardo Ceballos, um dos autores.
O papel do carbono, o gatilho invisível
O físico Daniel Rothman, do MIT, calculou que, sempre que o ciclo de carbono do planeta é perturbado além de um certo limite, ocorre um colapso ambiental global. E estamos perigosamente próximos desse ponto. Segundo ele, “a história geológica mostra que cada vez que o sistema ultrapassa determinado volume de carbono, a resposta é catastrófica”.
Em outras palavras: quanto mais carbono jogamos na atmosfera, mais instável fica o equilíbrio do planeta. O “gatilho” da próxima extinção pode não ser um meteoro, mas sim nossas próprias emissões.
O supercontinente do futuro
Se os modelos de Leeds estiverem certos, a Pangeia Última surgirá quando o Atlântico fechar e os continentes se reunirem novamente. O problema é que o interior desse supercontinente seria um deserto gigantesco, com quase nenhuma umidade e temperaturas insuportáveis. Oceanos menores significam menos capacidade de resfriamento, e o Sol, cada vez mais quente, pioraria tudo.
Com o passar do tempo, as formas de vida teriam duas opções: migrar para regiões polares, que ainda seriam habitáveis, ou desaparecer. As espécies adaptadas ao calor extremo poderiam prosperar, mas a maior parte dos mamíferos, incluindo nós, não resistiria.
Tem como evitar?
Mesmo que o cenário final esteja a milhões de anos de distância, os pesquisadores lembram que os efeitos da mudança climática já são visíveis agora e que o comportamento humano é o principal acelerador. Reduzir emissões, restaurar ecossistemas e investir em tecnologias sustentáveis pode não mudar o destino geológico da Terra, mas pode atrasar (muito) o relógio da catástrofe.
“A natureza já passou por cinco grandes extinções e sobreviveu”, explica o climatólogo Benjamin Mills, da Universidade de Leeds. “A questão é se nós estaremos aqui para ver a próxima.”
















