Curiosidades

Toupeira dourada cega considerada extinta é encontrada viva após 86 anos

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O mundo é um lugar complexo. O planeta Terra tem mais de quatro bilhões de anos e já foi abrigo de muitas formas de vida, a maioria já não existe mais. O maior exemplo de extinção que nós conhecemos são os dinossauros, mas isso não quer dizer que outras espécies também já não sumiram do planeta. Contudo, às vezes, pesquisadores acabam encontrando algum animal que se pensava estar extinto.

Um exemplo disso é a toupeira-dourada-de-winton (Cryptochloris wintoni) que era considerada extinta por quase um século, mas que foi reencontrada na costa oeste da África do Sul. Essa foi a primeira vez que o animal foi visto desde 1936.

O animal, que está na lista Search for Lost Species (Busca de Espécies Perdidas, traduzido), da organização internacional Re:wild, só foi encontrado por conta do esforço em conjunto de pesquisadores e geneticistas da organização sul-africana Endangered Wildlife Trust (EWT) e da Universidade de Pretoria, da África do Sul.

Encontro

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Gizmodo

Para que a toupeira fosse encontrada, eles usaram uma técnica chamada de eDNA. Através dela eles coletam amostras de pelos, células mortas do corpo ou fezes deixadas no solo. Com isso, eles podem confirmar o DNA de determinada espécie.

Depois que a presença desse animal foi confirmada, os pesquisadores andaram por uma área de 18 quilômetros de dunas até de fato encontrá-lo. “Embora muitas pessoas duvidassem que a toupeira-dourada-de-winton ainda estivesse por aí, eu tinha boa fé que a espécie ainda não estava extinta”, disse Cobus Theron, gestor de conservação do EWT e membro da equipe de busca.

Essa toupeira-dourada-de-winton é uma espécie de mamífero da família Chrysochloridae, que é endêmica da África do Sul. Dentre os habitats naturais dela estão arbustos secos subtropicais, vegetação arbustiva e praias. Mesmo tendo essa variedade de habitat, a espécie está ameaçada justamente pela destruição dele, e por isso é tida como “criticamente em perigo”.

Mesmo que esse animal viva no subterrâneo e se alimente de minhocas e insetos da mesma forma que as toupeiras de verdade, as espécies não são parentes próximas. A realidade é que os parentes mais próximos delas são os tenrecos, que são mamíferos pequenos vistos principalmente em Madagascar.

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UOL

Felizmente, casos em que os pesquisadores se surpreendem não são únicos. Vejamos, como exemplo, o caso desse animal conhecido como musaranho-elefante somali, ou Somali sengi, que se achava que estava extinto. Porém, 50 anos depois de desaparecido ele foi redescoberto.

Depois de ouvirem alguns relatos de pessoas que se encontraram com esses misteriosos animais, os cientistas decidiram ir verificar do que se tratava. O animal foi descoberto por uma equipe de cientistas em Djibouti, na África.

“Não sabíamos quais espécies viviam em Djibouti. E quando vimos a característica distinta de uma pequena cauda tufada, olhamos um para o outro e sabíamos que era algo especial”, disse Steven Heritage, pesquisador do Duke University Lemur Center.

Para conseguir capturar os musaranhos-elefante somali os cientistas usaram mais de mil armadilhas e as colocaram em 12 lugares diferentes. E como iscas para atrair os animais eles usaram uma mistura de pasta de amendoim, fermento e aveia.

Ao todo, os cientistas conseguiram observar 12 sengis na sua expedição. E tiveram as primeiras fotos e vídeos dos musaranhos-elefante somalis vivos para colocar como documentos científicos.

De acordo com suas observações, não existe nenhuma ameaça imediata ao habitat da espécie porque ele é inacessível e distante da agricultura e do desenvolvimento humano. E a abundância da espécie é parecida com a de outros musaranhos-elefante. O alcance pode ir além da Somália em Djibouti e, possivelmente, na Etiópia.

Para os cientistas, esses animais estavam desaparecidos. Mas os habitantes da região não consideram que eles tenham desaparecido em momento algum. “Para Djibouti, esta é uma história importante que destaca a grande biodiversidade do país e da região e mostra que existem oportunidades para novas ciências e pesquisas aqui”, ressaltou Heritage.

“Esta é uma redescoberta bem-vinda e maravilhosa durante uma época de turbulência para nosso planeta. E que nos enche de esperança renovada para as espécies de pequenos mamíferos restantes em nossa lista dos mais procurados, como a toupeira dourada de DeWinton, um parente do sengi , e o corredor de nuvem da Ilha Ilin”, afirmou Heritage.

No planeta existem 20 espécies de musaranho-elefante. E alguns dos primos genéticos vivos mais próximos do Somali sengi são o elefante e o peixe-boi.

De acordo com o mostrado pela análise de DNA, o sengi somali está mais intimamente ligado a outras espécies de lugares distantes como o Marrocos e a África do Sul, o que o coloca em um novo gênero.

De algum jeito, esse mamífero se dispersou por várias distâncias ao longo do tempo. Isso deixou os biólogos com um quebra-cabeça. Os cientistas têm planos de fazer uma nova expedição em 2022 para estudar o comportamento e a ecologia dos animais.

“Descobrir que o sengi somali existe na natureza é o primeiro passo para a conservação. Agora que sabemos que ele sobreviveu, cientistas e conservacionistas serão capazes de garantir que ele nunca mais desapareça”, disse Kelsey Neam, da Global Wildlife Conservation.

Fonte: Gizmodo, UOL

Imagens: Gizmodo, UOL

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