
Cinema e literatura é como café com leite: funcionam tanto juntos quanto separados. Para relatar qualquer narrativa literária em tela, o mais importante não é mostrar absolutamente tudo que a obra escrita traz, mas sim ter sucesso em contar sua história. Uma boa adaptação cinematográfica é aquela que consegue usar toda a estrutura singular do cinema para representar o que foi imaginado no livro. Alterações sempre serão necessárias para transpor um meio a outro.
Quando alguma obra é adaptada, seja para qualquer meio que for, ela nunca será transferida por completo. Isso acontece com frequência, especialmente quando um trabalho escrito é adaptado para o cinema e/ou televisão. As perdas são inevitáveis, até porque cinema e literatura são duas artes completamente diferentes. A trilogia de filmes de O Senhor dos Anéis não é perfeita, mas cumpre muito bem o trabalho de adaptar a complexa obra de J. R. R. Tolkien.
Como explicado, inúmeras mudanças precisaram ser feitas para contar a história nos filmes. Com isso em mente, confira alguns momentos icônicos dos livros de Senhor dos Anéis que você não viu no cinema.
Sem dúvidas, a decisão de Peter Jackson em deixar Tom Bombadil fora da adaptação é discutida até hoje. O personagem é bastante querido pelos fãs dos livros, mesmo sua própria pessoa sendo um mistério. Na obra, ele hospeda Frodo em sua casa por um bom tempo, antes de o hobbit seguir com sua jornada para destruir o anel. De alguma forma, o objeto não teve qualquer efeito sobre Tom e, embora no livro ele seja uma figura instigante, talvez sua presença no filme levantasse dúvidas demais.
As Criaturas Tumulares fazem parte das lendas da Terra-Média. A origem desses seres é uma incógnita. Com aspecto fantasmagórico, elas são de colocar arrepios em qualquer pessoa facilmente. Reza a lenda que elas costumam amaldiçoar suas vítimas, com misteriosos feitiços. No livro, quando Frodo, Sam, Merry e Pippin partem para a jornada, eles são capturados por essas criaturas. Os quatro hobbits são mantidos prisioneiros delas por um tempo.
A participação de Arwen nos livros é nula. A personagem aparece pouquíssimas vezes, pois vive reclusa. A cena no filme em que ela leva Frodo para Valfenda para Elrond poder curá-lo, não ocorre nos livros. No romance, quem faz esse trabalho é Glorfindel, um antigo elfo guerreiro tão poderoso que já foi capaz de derrotar um Balrog. Apesar de ele não ter aparecido na adaptação, a sequência com Arwen também proporcionou arrepios.
No livro A Sociedade do Anel, um dos momentos mais bonitos acontece no início da jornada de Frodo, Sam, Merry e Pippin, quando os hobbits encontram os elfos da floresta. Eles estão de partida da Terra-Média e podemos saber um pouco mais sobre eles, além de ser mais uma oportunidade para conhecê-los melhor, além de Lothlórien e Valfenda. No filme, o momento é mostrado brevemente, porém apenas na versão estendida. No corte para o cinema, a passagem ficou de fora.
Bri é uma vila nada amigável; cheia de pessoas estranhas, suja e sempre com aspecto sombrio. Um lugar no qual é quase impossível encontrar uma companhia decente. A vila abriga o Pônei Saltitante, um pub/estalagem que capta muito bem o estilo de Bri. A passagem dos hobbits pelo local é assustadora e bastante desconfortável. Embora esses lugares tenham aparecido na adaptação, a sequência em si não transmitiu o cenário agonizante presente no livro.
Ao chegar em Valfenda, Frodo tem um reencontro com Bilbo. Em seguida, há uma reunião para decidir o destino do Anel. O livro dedica um capítulo inteiro ao evento. Mas, claro, no filme as coisas precisaram ser condensadas. A adaptação resume a conversa e as pessoas ali presente. Por exemplo, no romance, temos a chance de ouvir o que Bilbo Bolseiro tem a dizer, pois ele faz parte do conselho. Sua presença foi removida no filme, deixando Frodo como o único representante dos hobbits.
Infelizmente, um dos pontos mais baixos da adaptação de O Senhor dos Anéis está na representação de Faramir. Tanto no livro, como no filme, o personagem luta para conseguir o respeito de seu pai. Vive às sombras do irmão, mas sempre mantém sua postura e responsabilidade como capitão do exército. A diferença está no caráter de Faramir. No filme, ele peca ao fazer Frodo e Sam seus prisioneiros e também ao desejar levar o um Anel a Gondor. Enquanto que, no livro, Faramir não cai em tentação como o irmão. Desde o começo, ele trata os hobbits com o maior respeito. Ele explica porque deteve os dois e conversa com eles. Eventualmente, os liberta sem grandes problemas.





