Curiosidades

Amazônia tinha pirâmides de terra batida, segundo confirmação de estudo

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Amazônia é uma floresta que cobre a maior parte da Bacia Amazônica da América do Sul. O local é considerado o maior bioma brasileiro, e possui um território que corresponde a 4.196.943 milhões de quilômetros quadrados. Além disso, a floresta Amazônica abrange nove países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Peru e Suriname.

A floresta ainda esconde vários segredos, e tem muito o que ser revelado, como por exemplo, na Amazônia boliviana, não muito longe da fronteira com o nosso país, os povos que viveram entre 1.500 e 600 anos atrás criaram assentamentos que tinham uma rede de fortificação complexa, estradas, canais e represas. Aparentemente, tudo isso era controlado do alto de pirâmides de terra batida que chegavam a ter mais de 20 metros de altura.

Pirâmides

Folha de São Paulo

Essas curiosidades sobre as pirâmides na Amazônia foram reveladas na última edição da revista “Nature” e devem acabar de vez com a ideia de que o território amazônico era “só mato” antes dos europeus chegarem.

“Essas plataformas e pirâmides eram artificiais desde a base até o topo. Aliás, foram construídas em cima de terraços com até seis metros de altura, os quais, por si sós, já correspondem a um acúmulo incrível de trabalho”, disse Heiko Prümers, pesquisador do Instituto Arqueológico Alemão e coordenador do novo estudo.

Prümers, junto com a boliviana Carla Jaimes Betancourt, da Universidade de Bonn, trabalha na região de Llanos de Mojos há aproximadamente 20 anos mapeando os sítios arqueológicos de chamada Casarabe. Ela se espalha por uma área de 4.500 quilômetros quadrados, o que é cerca de três vezes maior do que o município de São Paulo.

A região de Llanos de Mojos é formada, principalmente, por um tipo de savana que é inundada periodicamente, mas ela também tem trechos com florestas densas. Vários estudos anteriores já mostravam que a população pré-colombiana da região tinha sistemas sofisticados para o manejo do território, como por exemplo, campos artificiais elevados onde conseguiam plantar durante os períodos de cheia, canais que regularizavam a distribuição de água e rampas e estradas para facilitar o deslocamento na estação chuvosa.

Mesmo assim, a cobertura vegetal densa em boa parte da região atrapalhava as tentativas de ter uma visão de conjunto das modificações feitas pelos povos do passado nesse território.

Estudo

Folha de São Paulo

Foi então que os arqueólogos começaram a usar o LIDAR, uma tecnologia que é como se fosse um radar que usa lasers. Com esses aparelhos a bordo de aviões ou helicópteros, eles disparam pulsos de laser infravermelho na direção do solo. Então, com o tempo que a luz leva para tocar o chão e ser refletida para os detectores, os arqueólogos conseguem calcular os detalhes do relevo com uma precisão bem grande.

Graças a essa tecnologia que Prümers, Betancourt e sua equipe conseguiram mapear uma rede de 24 sítios arqueológicos da cultura Casarabe. Desses, dois foram batizados de Cotoca e Landívar. Eles têm o tamanho de cidades com seus 147 e 315 hectares, respectivamente.

Os dois têm um centro ritualístico ou governamental formado pelos terraços e pelas pirâmides em cima deles. Além do mais, eles eram cercados por três estruturas de defesa concêntricas que eram formadas por um fosso e uma muralha, também de terra batida.

“Esses centros são o produto de um longo processo. Tal como Roma, não foram feitos num só dia. Os três ‘anéis’ de estrutura defensiva no sítio de Cotoca, por exemplo, indicam um remodelamento constante e adaptações causadas por uma população em crescimento”, disse Prümer.

Observações

Amazônia

DW

Além disso, os outros sítios espalhados pela região sugerem uma hierarquia de assentamentos com diferentes tamanhos e funções. Contudo, de acordo com Prümers, a região tinha uma diversidade linguística e cultural grande demais para que se saiba qual foi o povo responsável por essas estruturas.

Tanto que existem indícios de contatos comerciais com a região de Cochabamba, na Amazônia boliviana, com a Amazônia brasileira, e também com os Andes.

O objetivo agora é saber até que ponto essas descobertas na Amazônia boliviana são realmente únicas no contexto amazônico.

Fonte: Folha de São Paulo

Imagens: Folha de São Paulo, DW

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