Aos 80 anos, americana se torna a mais velha a completar o Ironman

Avatar for Henrique SantosHenrique SantosNotíciasnovembro 6, 2025

O feito inédito no triatlo

A atleta norte-americana Natalie Grabow, residente de Mountain Lakes, em Nova Jersey, tornou-se oficialmente a mulher mais velha a concluir um Campeonato Mundial de Ironman.

O Ironman é um dos triatlos mais exigentes do planeta: envolve 3,8 quilômetros de natação em águas abertas, seguidos de 180 quilômetros de ciclismo e, por fim, uma maratona completa de 42,2 quilômetros. A soma desses desafios representa cerca de 226 quilômetros de resistência física e mental, realizados sob calor intenso e vento forte no Havaí. Grabow completou a prova em 16 horas, 45 minutos e 26 segundos, dentro do limite máximo de 17 horas permitido para a classificação oficial. Ao cruzar a linha de chegada, ela superou o recorde anterior da também norte-americana Cherie Gruenfeld, que havia concluído a prova em 2022, aos 78 anos.

Trajetória até o recorde

O mais impressionante na história de Grabow é que ela não começou no esporte cedo. Engenheira de software aposentada, ela iniciou sua prática esportiva apenas aos 40 anos e, na época, nem sabia nadar. Segundo relatou à BBC News, foi incentivada por amigos a participar de um triatlo amador de curta distância (conhecido como triatlo sprint), o que despertou sua curiosidade e determinação.

“Eu me apaixonei pela sensação de completar algo desafiador. Comecei tarde, mas entendi que a idade não é um impedimento”.

Aos 59 anos, decidiu aprender a nadar para participar das provas de longa distância e não parou mais.

Treinamento e superação

Para competir em Kona, sede do Mundial do Ironman, Grabow seguiu uma rotina intensa de treinos. Segundo detalhou, sua preparação envolvia seis dias de treinos semanais, combinando sessões de ciclismo de longa distância, corridas progressivas e natação em lagoas abertas. Ela também enfrentou desafios físicos. Durante o ciclo de preparação, sofreu uma lesão nos isquiotibiais (músculos posteriores da coxa), que a obrigou a interromper os treinos por quase uma semana. Ainda assim, conseguiu se recuperar com fisioterapia e retomou o programa com cautela.

Durante a prova, enfrentou mar agitado e forte calor, mas relatou ter se sentido bem ao longo do percurso.

“Foi uma sensação muito agradável, senti que estava no controle e que conseguiria terminar”.

Próxima da linha de chegada, chegou a tropeçar e cair, mas levantou-se imediatamente e completou o percurso sob aplausos do público.

Reconhecimento e simbolismo

No momento da chegada, Grabow foi recebida por Cherie Gruenfeld, a antiga recordista mundial. O reencontro entre as duas atletas, que já haviam competido juntas em anos anteriores, foi descrito por ambas como “emocionante e simbólico”.

“Fiquei feliz em vê-la. Passamos anos competindo lado a lado”, afirmou Grabow.

O feito não apenas entrou para a história do Ironman como também reforçou discussões sobre envelhecimento ativo e longevidade no esporte. A organização do evento destacou o exemplo da atleta nas redes oficiais do Ironman, citando-a como “um lembrete poderoso de que nunca é tarde para começar”.

O que vem a seguir

Mesmo após conquistar o recorde mundial, Natalie Grabow afirma que não pretende parar. Em entrevista ao Business Insider, ela revelou que já se inscreveu em dois meio-Ironman (provas de 113 km cada) programados para o primeiro semestre de 2026.

“Gosto da competição, mas o mais importante para mim é o treino diário. É isso que me mantém ativa”.

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