
Na década de 1990, o primeiro exoplaneta (corpo celeste que não orbita em torno do sol e não faz parte do nosso sistema solar) foi descoberto. Desde então, milhares de outros parecidos já foram encontrados. Contudo, isso não quer dizer que elas não sejam importantes. Confira o caso dessa astrofísica brasileira que descobriu um exoplaneta raro.
A estrela GM Aurigae é bem fraca para ser vista a olho nu. Segundo a Stellar Catalog, ela é uma estrela da “sequência principal”, ou seja, é parte do grupo de estrelas que chegaram na sua fase de evolução estável e são capazes de fundir átomos de hidrogênio em hélio.
O tamanho dessa estrela é cerca de duas vezes maior do que o sol, e sua temperatura da superfície chega a 4014ºC, equivalente a 74% da temperatura solar. E foi justamente no hemisfério celeste ao norte, onde essa a GM Auriage está, que a astrofísica brasileira descobriu um exoplaneta raro.
Bonnie Zaire, da Universidade Federal de Minas Gerais, descobriu o planeta que estaria orbitando esse astro em um local de formação estelar situada a pelo menos 521 anos-luz do sol.

Revista Fórum
Esse impressionante achado de Zaire, que identificou um possível planeta — ou “candidato a planeta” —, foi o segundo na história a detectar um sistema planetário orbitando uma estrela jovem, como é o caso de GM Aurigae.
Outro ponto interessante dessa descoberta é que ele é o terceiro planeta que foi identificado ainda no estágio inicial da sua formação planetária.
A astrofísica brasileira encontrou esse exoplaneta raro através do SPIRou (Spectro-Polarimetric InfraRed Observatory). Ele é um espectrógrafo, um instrumento usado para fazer a análise da luz refletida por um objeto a dividindo em componentes diferentes.
O SPIRou foi criado para o estudo de exoplanetas, estrelas e outros objetos astronômicos através dos comprimentos de onda infravermelhos. Por conta disso, Zaire viu que em volta de GM Aurigae tinha um movimento interessante, quase que como uma “dança”. Esse movimento era um indicativo da presença de um astro grande o suficiente para mudar seu equilíbrio.
Então, através do método de velocidade radial, que é fazer a observação da estrela em relação ao ponto de observação na Terra, a astrofísica brasileira conseguiu identificar que o observado era um planeta.
O planeta foi chamado de “GM Aurigae b” e tem aproximadamente 318 vezes o tamanho da Terra. O tipo dele é “Júpiter quente”, que é uma classe de exoplanetas gigantes e gasosos com propriedades parecidas com a de Júpiter.
Depois da astrofísica brasileira ter descoberto esse exoplaneta raro, ela disse que o próximo passo é monitorar novas estrelas para detectar ainda outros sistemas planetários que orbitem estrelas jovens. Com isso, eles irão conseguir entender melhor o funcionamento do sistema solar.
Fonte: Revista Fórum
Imagens: Revista Fórum





