Brasileiro de 32 anos morre em combate durante a guerra na Ucrânia

Avatar for Henrique SantosHenrique SantosNotíciasnovembro 28, 2025

Brasileiro morre em combate após se voluntariar para lutar na Ucrânia

Daniel Lucas de Campos, 32 anos, morador de Campinas (SP), morreu na segunda-feira, 24, enquanto combatia na guerra da Ucrânia. A informação foi confirmada por sua esposa, Letícia Prado, que aguarda a liberação e o traslado do corpo, atualmente em Kiev. A morte ocorre pouco após completar quatro meses desde que Daniel deixou o Brasil para integrar as forças ucranianas como voluntário.

Segundo familiares, Daniel embarcou para o Leste Europeu no dia 12 de agosto. Ele buscava realizar o sonho de servir em uma missão militar e, ao mesmo tempo, melhorar a situação financeira da família por meio de um salário oferecido a estrangeiros recrutados pelo governo ucraniano. Daniel deixa dois filhos.

Partida motivada por ideal e promessa de renda

Antes de viajar, Daniel trabalhava como vendedor de automóveis e vivia com a companheira e os filhos em Campinas. Letícia afirma que, apesar do receio inicial, decidiu apoiar a decisão do marido após longas conversas sobre o futuro da família. Segundo ela, a motivação de Daniel era dividida entre o ideal de ajudar um país em guerra e a possibilidade de receber cerca de R$ 25 mil mensais.

“Era o sonho da vida dele servir. Ele acreditou que seria uma oportunidade única. Eu acabei apoiando porque, mesmo com medo, entendi o quanto aquilo significava para ele.”

A esposa relatou, porém, que os pagamentos prometidos não foram cumpridos integralmente. De acordo com ela, Daniel recebeu apenas R$ 7 mil nos dois primeiros meses e não recebeu nada nos dois meses seguintes. O contrato firmado previa também uma indenização à família em caso de morte em combate.

Comunicação diária e último recado enviado

Letícia contou que mantinha contato diário com Daniel por videochamadas e que conversaram pela última vez no domingo, um dia antes da morte. Ela revelou ainda que o marido deixou um recado a um colega caso algo ocorresse. A confirmação do falecimento foi transmitida à família por combatentes brasileiros que atuavam ao lado dele. Com o impacto da notícia, Letícia afirma estar buscando apoio psicológico para comunicar a morte ao filho mais velho.

“É uma dor inexplicável. Eu perdi o amor da minha vida dias antes de completar 30 anos”, relatou.

Repatriação do corpo enfrenta entraves burocráticos

A família iniciou um esforço coletivo para arrecadar fundos destinados ao transporte do corpo de Brasília,  ponto até onde o Ministério das Relações Exteriores oferece suporte, até Campinas. Uma vaquinha online arrecadou R$ 11 mil. No entanto, a liberação do corpo em Kiev ainda não ocorreu. Segundo Letícia, autoridades ucranianas estão retendo o corpo para perícia. Ela relata que nenhuma previsão concreta foi fornecida.

“As informações estão vagas. Eles ficam segurando para perícia e não explicam nada. Só quero trazer ele para casa e dar um enterro digno.”

O Itamaraty afirmou, em nota, que não divulga detalhes sobre atendimentos consulares e não comenta informações pessoais de cidadãos.

Outros brasileiros mortos e contexto atual da guerra

A morte de Daniel ocorre dias após o falecimento de outro brasileiro combatente, Lucas Lima, de 30 anos, natural de Minas Gerais. Ambos integravam grupos de voluntários que se uniram às forças ucranianas desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.

O conflito, que se estende há quase quatro anos, envolve confrontos terrestres, aéreos e navais. No último sábado, 22, o governo ucraniano anunciou a abertura de uma rodada consultiva com aliados para discutir um possível plano de paz. A medida surgiu após pressão dos Estados Unidos para que o presidente Volodymyr Zelensky avaliasse uma proposta elaborada por Washington e Moscou.

O plano sugeriria que a Ucrânia reconhecesse a perda das regiões de Donetsk e Luhansk, além da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. A discussão, no entanto, ainda não avançou publicamente.

Família espera respostas

Enquanto aguarda a liberação do corpo, Letícia afirma que seguirá empenhada em completar o traslado e garantir um funeral adequado.

“Ele merece. Merece demais. E vou fazer de tudo para trazer ele para casa.”

A família continua em contato com autoridades brasileiras e ucranianas enquanto acompanha os trâmites do processo.

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