
Os remédios conhecidos como canetinhas emagrecedoras, casos famosos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, já viraram assunto no mundo inteiro por ajudarem na perda de peso. Mas agora cientistas descobriram algo inesperado: eles podem mudar até o paladar.
Um estudo apresentado na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Viena, entrevistou centenas de pessoas com sobrepeso e obesidade que estavam em tratamento com esses medicamentos. O resultado? Um em cada cinco usuários disse que passou a sentir o doce de forma mais intensa. Um número parecido relatou o mesmo em relação ao sal.
Segundo Othmar Moser, pesquisador da Universidade de Bayreuth, os efeitos vão além do controle do apetite. Muitos participantes relataram mudanças na forma como sentem sabores, especialmente o doce e o salgado. Já a percepção do azedo e do amargo permaneceu igual.
Entre os usuários de Wegovy, por exemplo, 27% afirmaram que a comida ficou mais salgada. Já entre os que tomavam Ozempic, esse índice foi de 16,2%, e no grupo Mounjaro, 15,2%. No caso do doce, a mudança apareceu em torno de 20% em todos os grupos.
O estudo não parou por aí. Mais da metade dos participantes relatou sentir menos fome ao longo do dia. E o detalhe curioso: quem dizia perceber a comida mais doce também tinha o dobro da chance de se sentir mais saciado.
De acordo com os cientistas, os medicamentos atuam não só no intestino e no cérebro, que controlam a fome, mas também nas células das papilas gustativas. Isso significa que eles podem alterar a forma como percebemos sabores fortes e, indiretamente, influenciar o quanto queremos comer.
Se confirmados em mais estudos, esses resultados abrem uma nova linha de explicação para a eficácia dos remédios. A mudança no paladar pode ser um fator importante para a redução do apetite e, consequentemente, para a perda de peso. Afinal, quando o doce parece mais doce e o sal mais salgado, fica mais fácil se sentir satisfeito com menos comida.
Além disso, essa descoberta pode ajudar médicos a selecionar melhor o tipo de tratamento para cada paciente e até a orientar mudanças de dieta mais personalizadas.
Apesar de promissores, os resultados ainda precisam de mais confirmação. O estudo foi baseado em entrevistas com pacientes que já estavam em tratamento, com duração média de 40 a 47 semanas. Ou seja, não é possível afirmar com certeza como essas alterações acontecem em longo prazo ou se afetam todos os usuários da mesma forma.
Mesmo assim, os cientistas destacam que entender como esses medicamentos mexem com o paladar pode ser a chave para tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais.
Fonte: Correio Braziliense





