Orelha quente: superstição ou sinal de alerta médico?

Avatar for Henrique SantosHenrique SantosSaúdesetembro 17, 2025

Quando a superstição encontra a ciência

Quem nunca ouviu aquela história de que, quando a orelha esquenta, é porque alguém está falando de você? A crença é popular e atravessa gerações. Mas, para a medicina, a explicação é bem diferente. O aquecimento da orelha pode estar ligado a situações simples do dia a dia, mas também pode ser um sinal de algo que merece atenção médica.

O otorrinolaringologista Felipe de Garcia Mauro explica que as causas podem variar bastante, indo de fatores físicos até emocionais.

As causas mais comuns

Na maioria dos casos, a sensação de orelha quente não é motivo de preocupação. Ela pode acontecer por motivos como:

  • Dormir sobre a mesma orelha por muito tempo
  • Pequenos traumas repetitivos, como mexer demais no ouvido
  • Reações a brincos ou piercings
  • Infecções ou inflamações locais

Essas situações geram calor, vermelhidão e até um pouco de desconforto, mas geralmente se resolvem sem grandes complicações.

Quando a orelha pede atenção

Em alguns casos, a orelha quente pode indicar problemas mais sérios. O médico cita, por exemplo, a condrite, que é uma inflamação da cartilagem. Existem ainda doenças sistêmicas, como a pericondrite ou a policondrite recidivante, que afetam várias cartilagens do corpo e podem causar deformidades se não tratadas.

Segundo Mauro, sinais de alerta que exigem consulta médica imediata incluem:

  • Dor intensa e persistente
  • Febre e mal-estar geral
  • Suspeita de infecção, como otite
  • Traumas ou feridas visíveis na pele da orelha

Nessas situações, o risco de complicação é maior e o ideal é buscar atendimento especializado o quanto antes.

O papel da saúde mental

Nem sempre a causa da orelha quente é apenas física. O médico ressalta a relação entre o sintoma e a saúde mental. Pessoas com ansiedade ou depressão, por exemplo, podem desenvolver o hábito de coçar ou cutucar os ouvidos de forma exagerada. Esse comportamento repetitivo causa microtraumas, inflamações e, consequentemente, a sensação de calor.

Por isso, em alguns casos, o tratamento precisa ser multidisciplinar. Não basta apenas cuidar da infecção ou da inflamação. É necessário também oferecer apoio psicológico para evitar que o problema se repita.

Fonte: Correio Braziliense

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