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Como as redes sociais afetam sua visão de si mesmo

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Você já se perguntou como as imagens, que são publicadas pelos infinitos usuários das inúmeras redes sociais disponíveis hoje, podem afetar a maneira como você se vê? Se sua resposta foi não, atente-se, agora, para alguns detalhes.

Atualmente, pesquisas científicas, envolvendo as redes sociais como objeto de estudo, encontram-se em estágios iniciais e muitas são correlacionais, ou seja, ainda há muito o que se pesquisar.

No entanto, os estudos já realizados revelaram que o uso das redes sociais está relacionado fortemente com preocupações com a imagem. De acordo com uma sistemática revisão de 20 artigos científicos que foram publicados em 2016, atividades realizadas em aplicativos exclusivamente para fotos, como, por exemplo, o Instagram, são alimentadas por pensamentos negativos sobre o próprio corpo.

“As pessoas estão comparando suas aparências às de outros usuários do Instagram, ou em qualquer plataforma em que elas estejam, e muitas vezes acabam se julgando inferiores”, diz Jasmine Fardouly, pós-doutoranda da Universidade Macquarie de Sydney, na Austrália.

Em uma das pesquisas, realizada com 227 universitárias, as participantes relataram que compararam negativamente tanto com a aparência de amigas virtuais distantes como com a de celebridades. O mesmo comportamento, por exemplo, não se repete quando os seguidores são membros da família.

De acordo com Fardouly, isso acontece devido ao fato dos usuários apresentarem uma versão unilateral de suas próprias vidas. Isso significa que o usuário, quando conhece bem uma pessoa, sabe que a mesma está divulgando apenas seus melhores recortes, mas se o usuário não sabe nada sobre a vida de um determinado seguidor, ele acaba não tendo nenhuma outra informação para avaliar as publicações que estão sendo feitas, e é aí que mora o perigo.

Influência negativa

As recentes pesquisas apontam que imagens que transmitem inspiração fitness fazem com que alguns usuários, além de se sentirem mais incomodados com o próprio corpo, tenham um julgamento mais rígido de si mesmo.

De acordo com um estudo realizado pela professora associada da Universidade de West England, no Reino Unido, Amy Slater, a maioria das pessoas que consomem imagens que divulgam especificamente este conteúdo, se nutrem também de publicações com citações de autocompaixão.

Em outro estudo, realizado em 2018, mulheres jovens foram expostas a conteúdos que tratavam a imagem de uma forma positiva, exaltando sempre a beleza natural. Este tipo de conteúdo, para os pesquisadores, é, na verdade, um movimento que busca promover o amor próprio e a pluralidade da beleza. Nesse ínterim, as publicações, ao invés de gerarem desconforto, promovem o sentimento de satisfação.

Mesmo o cenário sendo diferente em ambos os estudos, os pesquisadores alertam sobre a constância das publicações focarem especialmente na questão do corpo e como as mulheres acabam, nessa questão, sendo objetificadas.

Selfies

Jennifer Mills, professora associada da Universidade York, no Canadá, pediu, em uma de suas aulas, que suas alunas fizessem uma selfie e a publicasse em suas redes sociais. A professora dividiu a turma em dois grupos. Um dos grupos só podia fazer apenas uma foto e, além disso, tinha que publicá-la sem edição. O outro grupo, no entanto, podia fazer quantas fotos quisesse, mas, antes de publicá-la, deveriam editar a mídia.

Todas as participantes, de ambos os grupos, se sentiram menos atraentes e, pasmem, menos confiantes, inclusive as que obtiveram o direito para editar as fotos. “Mesmo elas podendo fazer com que o resultado final pareça ‘melhor’, elas ainda focam em aspectos que não gostam em sua aparência”, afirma a professora.

“Houve também o domínio da sensação de ansiedade antes de postar uma foto e mesmo recebendo a aprovação de outras pessoas, que diziam: sim, você está bonita”, diz Mills. “Mas essa aceitação não dura muito e as meninas faziam outra selfie”.

De todas as formas, a conclusão da maioria dos estudos é sempre a mesma: as pessoas se sentem insatisfeitas com o próprio corpo. Entretanto, vale ressaltar que novas pesquisas sobre o cenário devem ser feitas.

Ainda há muito a ser avaliado dentro deste universo e do comportamento dos usuários das redes sociais, precisa ser analisado com mais cuidado, afinal, a maior parte dos trabalhos científicos, até agora, têm se concentrado em mulheres jovens e as pesquisadas, incluindo homens, estão começando a mostrar que eles também não estão imunes.

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