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Como sobras de madeiras podem ser usadas na produção de etanol?

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A produção de etanol mundial pode tomar novos rumos em breve. Isso ocorre por conta da descoberta feita pela parceria entre a Universidade Técnica de Munique (TUM) e a Universidade de Tecnologia Lappeenranta-Lahti (LUT). Em síntese, cientistas descobriram uma forma de usar sobras de madeira como matéria-prima na fabricação do combustível.

Primeiramente, a água (H20) sofre eletrólise. Ou seja, através de uma corrente elétrica, ela tem seu hidrogênio separado do resto da composição. Este elemento se combina com os resíduos de madeira, e juntos, formam o material pronto para uso na produção do álcool.

Fonte: Celulose online / Divulgação

Entrada no mercado

Definitivamente, a nova técnica é revolucionária e tende a aumentar a lucratividade de quem a aplicar. No entanto, limitações tecnológicas de reatores e catalisadores impedem que o produto seja comercializado. Sendo assim, quando esse requisito for atendido, a tendência é que este etanol seja utilizado numa proporção de 10% na gasolina comum.

Além disso, é importante lembrar que essa madeira hidrogenada ainda não gera um combustível sustentável por si só. Afinal, este material vai liberar dióxido de carbono (CO2) durante sua fermentação. Todavia, se utilizar eletricidade limpa na eletrólise da água, o saldo final é de uma redução de emissão em 75%, se comparado com a gasolina. Sendo assim, essa corrente elétrica necessita vir de instrumentos como placas solares e moinhos de vento.

Da fermentação ao etanol

Atualmente, a produção de etanol é predominantemente sustentada pela fermentação do açúcar sacarose. No Brasil, esse composto provém da cana-de-açúcar. Com nossa grande área plantável, somos o país com a segunda maior produção mundial etílica. A nação líder neste quesito é os Estados Unidos, que utilizam o milho como biomassa processada.

No caso da cana-de-açúcar, primeiramente, a técnica começa com a moagem do vegetal. Como consequência, um líquido chamado garapa se forma. Só que dessa vez este produto não vai para as feiras, e sim para as usinas. Nestes locais, esse líquido se aquece a 105º e se transforma em um melaço.

Tal substância pastosa armazena sacarose, açúcar que cai bem na dieta da levedura Saccharomyces cerevisae. Por isso, os produtores de etanol utilizam o fungo na fermentação da sacarose. O resultado disso é a formação de um mosto fermentado, juntamente com dióxido de carbono (parte poluente da cadeia produtiva). Por fim, é possível acompanhar a destilação desta mistura, e posteriormente, a formação do etanol.

Com os resíduos de madeira hidrogenados, o produtor obtém uma rentabilidade seis vezes maior do que com a fermentação da palha vegetal. De acordo com o Professor Kristian Melin, coautor da técnica, o novo método produz de 1.350 a 1.410 litros de etanol. Enquanto isso, matéria-prima tradicional se limita a gerar de 200 a 300 litros do combustível.

Fonte: EBC Rádio / Divulgação

Outras aplicações para sobras de madeira

De antemão, a produção de etanol não é a única forma de dar um destino melhor aos resíduos de áreas florestais. Um uso comum destes materiais é na fabricação de fertilizantes, através da compostagem. Neste processo, os lascas de madeira se misturam com outros resíduos vegetais e animais, formando excelentes adubos.

Além disso, há a popular aplicação destas sobras como lenhas para fogão e na produção de farinhas de madeira. Estas servem como matéria-prima nas indústrias de plásticos, de calçados e até mesmo de explosivos.

Em conclusão, as estratégias para se reciclar a madeira se estendem por várias áreas. Porém, o objetivo é um só: impedir que mais árvores precisem ser derrubadas. Graças à ciência, encontramos em lascas e serragens uma forma de atender às crescentes demandas por energia limpa. Com isso, conseguiremos diminuir cada vez mais a área que se devasta para a produção de cana-de-açúcar ou milho.

Fonte: Canal Tech, Mundo Educação.

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