De quem são? Cientistas não sabem origem de fósseis encontrados no Brasil – até agora

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesagosto 26, 2024

Os fósseis são recursos capazes de mudar o pensamento dos pesquisadores sobre como a vida em nosso planeta foi antigamente ou como determinado animal se comportava e como ele deixou de existir. Contudo, alguns deles podem levantar mais dúvidas do que certezas. Como no caso da origem desconhecida desses fósseis encontrados no Brasil.

Em países como o nosso, Estados Unidos, Canadá, Índia e alguns países de África e Europa existem fósseis no formato de haltere em algumas rochas, eles são chamados de bifungites. Na realidade, eles são animais fossilizados. São tocas que foram deixadas no caminho de algum animal já extinto. E a maior parte dos bifungites são vistos em rochas da era Paleozoica, que aconteceu há mais de 300 milhões de anos.

Mesmo que esses fósseis sejam descobertos, até os dias atuais não é sabido quem os fez. Embora eles tenham sido considerados fósseis de traço, existem aqueles que levantam a hipótese do que eles realmente poderiam ter sido.

A origem desses fósseis que também foram vistos no Brasil intriga vários pesquisadores. Um exemplo é o paleontólogo brasileiro Daniel Sedorko, que trabalha com invertebrados no Museu Nacional do Brasil, que estudou os bifungites durante mais de 10 anos. E durante uma expedição feita em 2022 ele observou uma coisa diferente.

De acordo com o The New York Times, tipicamente as tocas são vazias porque as criaturas que as construíram eram invertebrados com o corpo mole, o que fazia com que eles não se fossilizassem direito.

Contudo, Sedorko observou a marca de pequeno verme em um bifungite nas rochas expostas no leito do rio Sambito, no Piauí. Depois disso ele fez mais análises e descobriu, junto com sua equipe, outras sete tocas fossilizadas que tinham essa mesma marca de verme. Isso é um indicativo de que esses vermes foram os responsáveis pela criação dessas tocas.

Origem fósseis encontrados no Brasil

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De acordo com o estudo, os pesquisadores disseram que acreditam que esse seja o primeiro registro mostrando que os invertebrados sejam os responsáveis pelos bifungites.

Na visão de Carlos Neto de Carvalho, especialista no estudo de vestígios fósseis, ou icnologia, da Universidade de Lisboa, que não participou do estudo, a descoberta feita nele é bem emocionante. “Esta é a melhor evidência que você pode obter no registro de vestígios fósseis para descobrir o produtor”, disse.

Além disso, ele pontuou que “é mais comum encontrar nova espécie de dinossauro do que encontrar produtor de vestígio fóssil”.

A descoberta feita por Sedorko e sua equipe sugere que os responsáveis pelos bifungites seriam os vermes marinhos pertencentes ao grupo Annulitubus. As espécies desse grupo eram encontradas nas partes rasas dos mares, perto das costas dos supercontinentes pré-históricos. Além disso, elas tinham o hábito de cavar tocas no fundo do mar.

Essas tocas tinham o formato de Pi invertido ou de U, tendo sua câmara horizontal parecia com um haltere em sua base e eixo vertical em cada extremidade.

Conforme Andrew Rindsberg, paleontólogo da University of West Alabama (EUA) e coautor do estudo, “é incomum ver o formato de U”. Isso porque à medida que o tempo vai passando, as correntes de água causam erosão nas tocas e os poços são os primeiros a desaparecerem. No entanto, a metade horizontal inferior tem potencial de se preservar.

Na visão dos pesquisadores,  os vermes Annulitubus fizeram suas tocas como uma forma de proteção contra tempestades selvagens ou predadores. O mais provável é que eles se enfiavam nas extremidades de cada uma das câmaras.

“O animal estava tentando ser consertado. Mas é apenas uma hipótese”, disse Sedorko.

Preservação

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Outro ponto que sempre dificultou saber a origem desses fósseis encontrados no Brasil foi a falta de preservação do que teria feito as tocas. Mas depois dessa descoberta, a pergunta que fica é como os vermes ficaram preservados nas tocas durante todo esse tempo?

De acordo com Sedorko, por milhões de anos aconteceram tempestades frequentes. Então, cada uma delas depositava vários metros de sedimento que enterravam esses invertebrados de forma rápida. Conforme o tempo foi passando, eles decaíram, mas as impressões deles ficaram preservadas. O que, na visão de Sedorko, “é muito bonito”.

Depois da descoberta feita, os pesquisadores esperam que icnólogos do mundo sejam incentivados a prestarem mais atenção nos criadores dos bifungites. Até porque, mesmo os pesquisadores acreditando que eles são responsáveis pela origem dos fósseis encontrados no Brasil, eles não deixam totalmente de lado a hipóteses de que outros artrópodes os teriam criado em outras partes do planeta.

Fonte: Olhar digital

Imagens: Olhar digital

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