

Submersa a quase 18 metros de profundidade, a estátua é constantemente afetada por algas, crustáceos e bactérias. Para garantir sua preservação, mergulhadores da polícia italiana realizam limpezas anuais utilizando pistolas de água pressurizada, uma técnica que substituiu o antigo método de raspagem com escovas metálicas. Este último, além de causar riscos à superfície da obra, chegou a provocar a queda de uma das mãos do Cristo, posteriormente recolocada.
Segundo especialistas, o processo atual é considerado de impacto ambiental zero, já que utiliza a própria água do mar em alta pressão. Durante a limpeza, cardumes de peixes costumam se aproximar, transformando a atividade em um verdadeiro espetáculo natural. Alessandra Cabella, historiadora de arte do escritório de arqueologia da Ligúria, destaca que a técnica preserva tanto o bronze da escultura quanto o ecossistema ao redor.
A ideia do monumento partiu de Duilio Marcante, mergulhador italiano que buscava homenagear o amigo Dario Gonzatti, morto em 1947 durante testes de equipamentos de mergulho. Para tornar o projeto realidade, Guido Galletti moldou a escultura utilizando uma mistura de metais provenientes de navios, canhões, medalhas de soldados e troféus de atletas. A instalação foi marcada por um ato simbólico, no qual mergulhadores depositaram flores no local.
O Cristo do Abismo atrai turistas e mergulhadores de todo o mundo, sendo considerado um dos pontos de mergulho mais visitados do Mediterrâneo. Programas turísticos locais incluem o monumento em roteiros especiais, reforçando seu papel como patrimônio cultural submerso.
Além da versão italiana, outras estátuas foram criadas a partir do mesmo molde de Galletti. Uma delas repousa nas águas de Key Largo, na Flórida, Estados Unidos, enquanto outra foi instalada na costa de Granada, no Caribe. Apesar disso, a escultura original em Ligúria permanece como a mais famosa e icônica.
Sete décadas após sua instalação, o Cristo do Abismo continua sendo um tributo às vidas perdidas no mar e um lembrete da relação entre o ser humano e os oceanos. Entre algas, crustáceos e peixes coloridos, a imagem de braços abertos segue firme nas profundezas, reunindo história, fé e ciência em um só monumento.






