Paulistano saiu do Brasil par ser chef na Itália e fatura atualmente quase R$ 1 milhão

As pessoas saem do Brasil para estudar, trabalhar, experimentar viver uma nova cultura e costumes, ou para tentar uma vida nova. Uma dessas pessoas é Marcelo Cafaldo, de 52 anos, brasileiro, paulistano e de raízes periféricas que remou contra a maré e hoje tem um sucesso extremo em sua profissão. Esse paulistano saiu do Brasil par ser chef na Itália e, hoje em dia, fatura quase um milhão de reais por ano.

“Eu nasci no Brás, mas logo meus pais mudaram para Itaquera. Cresci a vida toda na periferia. Foi um dos períodos mais importantes da minha vida; foi quando me formei como pessoa, acompanhando minha mãe, uma costureira, e meu pai, que trabalhava na Telesp”, lembrou ele em uma entrevista ao Terra.

A paixão pela culinária não foi uma coisa presente desde sempre para Marcelo. O amor pela profissão foi sendo construído aos poucos com base nas vivências dele, como por exemplo, na escola quando ele  trocava sanduíches para descobrir sabores, e começou a fazer bolos em casa.

Na adolescência de Marcelo, a família dele investiu em um restaurante. Nessa época, ele teve um gosto a mais pela profissão, especialmente porque tinha uma namorada e gostava de fazer surpresas para ela com gestos gastronômicos.

O paulistano quis sair do Brasil nos anos 2000. Nessa época, ele já estava com 26 anos e tinha sofrido assaltos traumáticos, sendo um deles à mão armada na porta de sua casa. “Foi algo horroroso, bem pesado. […] Fui jogado no chão, chutado. Aquilo me traumatizou de forma profunda. Naquele mesmo ano, resolvi ir embora do Brasil. E nunca mais voltei”, contou.

Paulistano se tornou chef na Itália

Terra

Marcelo juntou suas poucas economias e viajou para a Itália. Ele ficou por lá entre 2000 e 2007 fazendo de tudo para sobreviver como entregador, faxineiro e ajudante de cozinha. Quando estava nesse último trabalho ele se sentiu inspirado e resolveu investir na gastronomia.

Em 2007, ele foi para a Inglaterra para estudar e trabalhar. Marcelo conseguiu emprego na Shell e lá aprendeu com grandes mestres e serviu celebridades internacionais, como Gordon Brown e Boris Johnson, dois ex-primeiros-ministros britânicos, além da Princesa Anne, Michael Schumacher e Felipe Massa.

Em 2015, amigos avisaram Marcelo que um dos restaurantes que ele tinha trabalhado na Itália seria vendido porque o chef estava com problemas financeiros. Ele então foi conversar com o ex-patrão e assumiu o local e a dívida de 75 mil euros, equivalente a 500 mil reais.

Nessa época, Marcelo já estava em um relacionamento com sua atual esposa. Depois de muita conversa, os dois decidiram se tornar sócios no restaurante, mas a dívida balançou o relacionamento.

“Nós não estávamos preparados pra isso, de jeito nenhum. Mas nós tínhamos uma reserva de dinheiro pra poder sobreviver por um bom tempo sem ter que depender do restaurante. […] Em 11 meses, nós conseguimos sanear o restaurante. E depois, no 12º mês, exatamente depois de um ano, o restaurante começou a ganhar alguma coisa. […] Hoje, o nosso restaurante tem um faturamento anual de € 700 mil. Claro, tem custos, funcionários, fornecedores… Mas conseguimos ter uma economia legal”, disse ele.

Essa história do paulistano que se tornou chef na Itália serve como inspiração para todas as pessoas que pensam em seguir um sonho, mas acham que será impossível realizá-lo. E para quem quiser conhecer o restaurante de Marcelo, ele se chama L’Officina e , como o próprio chef diz, é um estabelecimento que “serve comida do mundo inteiro”. O preço médio é de 16 euros no almoço e 35 no jantar.

Fonte: Terra

Imagens: Terra

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