Inversão em polos da Terra causou caos há 42 mil anos; pode rolar de novo?

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesnovembro 28, 2024

A Terra é por si só um grande imã. Isso porque o nosso planeta gera o seu próprio campo magnético. Justamente por conta disso que é tão fácil usar uma bússola, já que a agulha sempre aponta para o norte. Contudo, pode ser que aconteça uma inversão dos polos magnéticos da Terra. E isso realmente aconteceu há aproximadamente 41 mil anos no Evento Laschamp.

Esse fato pode ser uma coisa só vista na ficção nos tempos atuais, mas quando aconteceu acabou provocando uma crise ambiental que poderia estar em qualquer uma dessas obras de ficção.

De acordo com um estudo publicado em 2021, a inversão dos polos da Terra desencadeou uma mudança climática em escala global que acabou causando extinções e remodelando o comportamento humano.

Nesse estudo, os pesquisadores levantaram a hipótese de que em cerca de mil anos, quando o campo magnético do planeta estava revertendo, ele ficou mais fraco do que o normal e por conta disso a radiação cósmica solar e cósmica afetou a atmosfera o tanto necessário para impactar o clima.

Inversão dos polos da Terra

Olhar digital

Para fazer o estudo, os pesquisadores olharam para as árvores Kauri preservadas em pântanos do norte da Nova Zelândia. Eles então cortaram seções transversais para conseguirem observar mudanças nos níveis de carbono 14. Isso acabou revelando que quando o campo magnético estava mais fraco, os níveis dele eram mais altos.

“Assim que descobrimos o momento exato do registro kauri, pudemos ver que coincidia perfeitamente com os registros de mudanças climáticas e biológicas em todo o mundo”, disse Alan Cooper, professor emérito do Departamento de Geologia da Universidade de Otago, na Nova Zelândia.

Depois disso, os pesquisadores fizeram modelos computacionais para fazer o teste do que pode ter causado essa mudança climática geral.

Com isso, eles descobriram que grandes impactos climáticos poderiam ser causados por um campo magnético fraco, operando em cerca de 6% de sua força normal. Isso poderia acontecer “através da radiação ionizante, danificando fortemente a camada de ozônio, permitindo a entrada de UV (raios ultravioletas) e alterando as formas como o sol a energia foi absorvida pela atmosfera”, explicou Cooper.

Ainda conforme o estudo, esse nível alto de UV pode ter feito com que os humanos buscassem abrigos em cavernas e protegessem sua pele com “minerais bloqueadores do sol”.

E será que essa inversão dos polos da Terra pode acontecer novamente? De acordo com os pesquisadores, não tem como prever de forma precisa quando isso irá acontecer novamente. No entanto, sinais como a migração do polo Norte através do Mar de Bering, e o próprio campo magnético ter enfraquecido quase 10% nos últimos 170 anos, são indicativos de que essa inversão pode estar mais perto do que se imagina.

“No geral, essas descobertas levantam questões importantes sobre os impactos evolutivos das reversões e excursões geomagnéticas ao longo do registro geológico mais profundo”, disseram os pesquisadores na época do estudo.

Fonte: UOL 

Imagens: Olhar digital 

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