Neurocientistas descobrem algo revolucionário: você é tão inteligente quanto suas emoções

Avatar for Mayara MarquesMayara MarquesSaúdeagosto 30, 2024

A neurociência descobriu algo surpreendente sobre os seres humanos: nossa razão e emoção estão diretamente conectadas. Ou seja, somos tão inteligentes quanto nossas emoções.

Os principais avanços intelectuais dos últimos 50 anos mostram como estamos estudando mais as emoções. Mas, por milhares de anos, o pensamento ocidental acreditava em um conflito eterno entre a razão e as emoções.

Segundo essa visão, a razão era fria, lógica e sofisticada, enquanto as emoções eram primitivas, impulsivas e nos levavam a decisões equivocadas. Uma pessoa sábia deveria usar a razão para controlar suas paixões primitivas.

Cientistas, executivos e bons pensadores deveriam ser objetivos e desconsiderar suas emoções, como computadores ambulantes que avaliam provas cuidadosamente e escolhem o caminho mais inteligente.

Contudo, a neurociência moderna desafiou essa perspectiva. Em vez de ver as emoções como primitivas e destrutivas, agora sabemos que elas frequentemente são sensatas.

Por isso, muitas vezes, elas guiam a razão, nos ajudando a ser mais racionais.

Cultura

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O problema é que nossa cultura e instituições ainda não se ajustaram a esse novo conhecimento. Continuamos em uma sociedade que valoriza exageradamente a capacidade intelectual.

Nossas escolas classificam as crianças principalmente pela habilidade de tirar boas notas em exames padronizados, ignorando a sabedoria que também vem do corpo e é crucial para o sucesso na vida.

Modelos econômicos partem da premissa de que o ser humano é uma criatura racional que calcula seus interesses friamente, e ficamos surpresos quando vemos investidores se empolgarem em bolhas financeiras.

Muitas pessoas estão desconectadas de sua vida interior porque não compreendem suas próprias emoções.

Mas o que a neurociência moderna nos revelou? O verdadeiro avanço começou em 1994, com a publicação do livro “O Erro de Descartes” por António Damásio.

Ele estudou pacientes que tinham dificuldades para processar emoções. Esses pacientes não eram superinteligentes como o personagem Spock de “Jornada nas Estrelas”.

Na verdade, tinham problemas para tomar decisões e suas vidas estavam fora de controle.

Damásio mostrou que as emoções têm a função de atribuir valor às coisas, e que, sem saber o que é importante ou o que é bom ou ruim, o cérebro acaba se perdendo. Portanto, a razão e emoção funcionam como um sistema integrado para ajudar na tomada de decisões.

Estudo da razão e emoção

Desde então, os neurocientistas têm focado no estudo das emoções. Hoje, entendemos melhor como as emoções são formadas e qual é o seu papel em nossas vidas.

Simplificando, nosso corpo reage constantemente aos eventos ao nosso redor, mesmo abaixo do nível da consciência: o coração pode bater mais rápido ou mais devagar, a respiração pode ficar curta ou profunda, e o metabolismo pode ser estável ou desregulado.

Muitas dessas reações ocorrem no sistema nervoso entérico, localizado no trato gastrointestinal, também chamado de “segundo cérebro”, que contém centenas de milhões de neurônios e 95% da serotonina do corpo.

A cada segundo, o cérebro interpreta os sinais enviados pelo corpo e lhes dá significado. Será que esse conjunto de reações é nervosismo? Ansiedade? Não, é pavor!

O corpo age e a mente constrói uma experiência emocional a partir disso. Embora pareça que ficamos assustados e então começamos a correr da ameaça, como sugeriu o psicólogo William James há mais de um século, é mais correto dizer que começamos a correr e só depois percebemos o medo.

Em resumo, as emoções direcionam a mente de acordo com as circunstâncias. A indignação nos faz focar na injustiça. A admiração nos faz sentir pequenos diante da grandeza e nos inspira a tratar os outros com bondade. A euforia nos encoraja a correr riscos.

A felicidade nos deixa mais criativos e flexíveis. A repulsa nos prepara para rejeitar comportamentos imorais. O medo agudiza nossos sentidos e melhora nossa atenção.

A ansiedade nos coloca em um estado de alerta pessimista, tornando-nos menos propensos a correr riscos. A tristeza melhora nossa memória, ajuda a fazer julgamentos mais precisos e nos torna comunicadores mais claros e atentos à justiça.

Forças mentais

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Em situações de vida ou morte, a testosterona e a dopamina ficam em alta, alimentando uma mentalidade que pode gerar bolhas financeiras e crises globais. A euforia vem antes da queda.

Como os operadores podem realizar seu trabalho sem causar o colapso do sistema financeiro global? A resposta não está em reprimir as emoções.

Os tomadores de decisão precisam delas para correr riscos e explorar novas oportunidades.

Os operadores devem sentir o mercado em seus corpos e usar suas emoções para distinguir quais sinais das telas de seus computadores podem ser ignorados e quais indicam alertas sérios que exigem atenção.

O que eles realmente precisam é de autoconsciência emocional. As pesquisas mostram que operadores eficazes são extremamente sensíveis às mudanças físicas, como variações nos batimentos cardíacos.

Em outras palavras, eles são muito bons em avaliar suas emoções. Em vez de suprimir ou controlar suas emoções, eles dialogam com elas. Expressar uma emoção é uma ótima maneira de colocá-la em perspectiva.

Atletas emocionais

O ponto principal é que, para tomar as grandes decisões da vida, todos precisam ser um verdadeiro atleta emocional. É necessário ter paixão suficiente para sentir e astúcia para entender seus próprios sentimentos.

Sempre soubemos que as emoções são fundamentais para a conexão humana (embora nem sempre sejamos bons nisso). Hoje, entendemos que elas também são vitais para ser uma pessoa racional e eficaz.

Mesmo assim, a maioria de nós não sabe lidar bem com razão e emoção. Em outras palavras, falta habilidades emocionais, algo muitas vezes ignorado no processo de contratação.

Algumas pessoas são naturalmente melhores do que outras, mas não sabemos como avaliar essas habilidades ou de que somos bons em ensiná-las.

Em breve veremos exemplos de como a razão e emoção atuam em campos importantes. Por exemplo, nas eleições do próximo presidente dos Estados Unidos.

Estilos emocionais opostos disputam o poder e podem influenciar não apenas os candidatos, mas também seus eleitores. Quem sabe a partir disso, possamos discutir mais sobre razão e emoção, controle e equilíbrio.

 

Fonte: R7

Imagens: Freepik, Freepik

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