
Maria Montessori é amplamente reconhecida como uma das educadoras mais influentes do século XX. Seu método, que prioriza a autonomia da criança, a autoexploração e o aprendizado sensorial, é aplicado mundialmente em escolas de elite.
No entanto, por mais que pareça progresso, existe um lado obscuro e pouco debatido: a obsessão de Montessori por criar “a criança perfeita” e sua proximidade com regimes autoritários.

Segundo o livro “A longa sombra de Maria Montessori”, da pesquisadora austríaca Sabine Seichter, a pedagoga italiana idealizava uma educação que formasse seres humanos.
Para ela, o objetivo era desenvolver uma nova geração que expressasse a “natureza divina do homem”, um conceito que, apesar do tom espiritual, se apoiava em princípios sociais e biológicos excludentes.
A própria Montessori afirmou que:
… a nova educação deve contribuir para a criação de um novo homem.
Mas, como destaca Seitcher, esse “novo homem” excluía um grupo de pessoas. A educadora via as crianças com deficiência como “anormais”e, além disso, chegou a defender que fossem isoladas para não “prejudicar o avanço da civilização”.
Essa visão, ainda que alinhada com o pensamento médico da época, revela um viés claramente eugenista.
Além disso, Montessori manteve (durante anos) uma aliança com Benito Mussolini. Entre 1922 e 1933, o regime facista italiano promoveu oficialmente o método Montessori nas escolas públicas. A educadora só rompeu com o ditador quando percebeu que suas escolas estavam sendo usadas para doutrinação política.
De acordo com o Xataka Brasil : ele afirma que Montessori também tentou se aproximar do governo Adolf Hitler. O site também destaca:
Heinz-Elmar Tenorth, catedrático emérito de Pedagogia destaca a afinidade de Montessori não só com as ideias de Mussolini, mas também com as de Hitler… ela fez propaganda e buscou aliados, de Hitler a Mussolini, pois acreditava que eram os únicos que poderiam ajudá-la a produzir uma criança perfeita…
Essa contradição ajuda a explicar por que muitas críticas ao legado de Montessori foram abafadas ou ignoradas ao longo do tempo.
As escolas que adotam esse método, hoje em dia, se preocupam com um ambiente cuidadosamente preparado para promover a autonomia da criança.
As salas de aula contam com móveis adaptados à sua altura, materiais sensoriais específicos e liberdade de escolha dentro de limites estruturados. O foco está no desenvolvimento cognitivo, emocional, físico e social por meio da autoexploração e da repetição de atividades práticas. Os professores atuam como guias, observando em vez de instruir diretamente.
No entato, apesar do discurso inclusivo, muitas escolas que aplicam o método montessori, cobram mensalidades altíssimas e nicham o público.
Hoje, o método Montessori é sinônimo de inovação educacional, mas ironicamente surgiu como uma proposta para crianças pobres. E acabou sendo adotada por escolas de elite.
Em suma, por mais que Maria Montessori tenha um impacto positivo na educação, é preciso reconhecer que sua trajetória inclui aspectos polêmicos.
Enfim, revelar esse outro lado não invalida suas contribuições, mas permite uma compreensão mais honesta e completa dessa figura que moldou milhões de mentes e tentou, também, moldar um ideal de humanidade.






