
Talvez você nunca tenha ouvido falar deles, mas os arquivos secretos do Vaticano, guardam segredos que são motivos de diversas teorias desenvolvidas por conspiracionistas e teóricos de várias áreas. O motivo de tanta imaginação pode estar no erro de tradução de uma palavra em latim.
Os arquivos, ou oficialmente Archivum Secretum Apostolicum Vaticanum, contêm registros históricos que tratam de eventos que aconteceram ao longo de cerca de 12 séculos de nosso passado. De acordo com o Vaticano, a palavra Secretum que está no nome deveria ser traduzida pessoal, e não como secreto.
Nos documentos, que não escondem nada de realmente secreto, estão cartas pessoais e documentos históricos de papas antigos. Inclusive, apesar de guardarem a fama, os documentos já não são secretos desde 1881, quando o Papa Leão XIII abriu o conteúdo particular para estudiosos.
Dentre os supostos segredos guardados nos documentos estão cartas e documentos oficiais da igreja. Confira alguns deles.
Os Arquivos Secretos foram criados em 1612 pelo Papa Paulo V. Quatrocentos anos depois, em 2012, o Vaticano celebrou a data fazendo com que 100 itens se tornassem disponíveis para consulta pública pela primeira vez. A exibição, que recebeu o nome Lux in Arcana, ajudou a iluminar alguns eventos do passado e trazer informações sobre a postura de alguns papas históricos.
Segundo David Kertzer, que passou anos estudando os arquivos para escrever o livro O Papa e Mussolini, as pessoas comuns e os estudiosos já discutem sobre os temas dos arquivos, que continuam escondidos de grande parte da população apenas porque a igreja julga parte do conteúdo desagradável.
Em seu livro, ele releva que o Papa Pio XI e seu secretrário de estado, que se tornou o Papa Pio XII, fizeram acordos com Mussolini para proteger os interesses da igreja em troca do silência perante propagandas anti-semitas do governo.
Para conseguir acesso aos arquivos, estudiosos precisam apresentar credenciais que precisam ser renovadas a cada seis meses. Uma vez que conseguem acesso, não podem acessar quaisquer documentos que quiserem. Ao invés disso, os pesquisadores precisam pedir por documentos específicos a partir de catálogos gigantes, com um limite de três pastas por dia.
Caso algum estudioso perceba que o conteúdo que gostaria de estudar não está na pasta escolhida, são obrigados a deixar o estudo de lado, graças às regras locais. Por conta dessa dificuldade, alguns pesquisadores que possuem prazos curtos ou vêm de longas distâncias podem ter graves problemas em seus trabalhos.
Além disso, apesar de computadores serem permitidos no ambiente, não se pode tirar nenhuma fotografia.
Deu pra perceber que ainda que os arquivos não sejam tão secretos assim, podem conter informações importantes para a compreensão da nossa história e da participação da Igreja Católica em vários eventos. Para um departamento que possui a palavra secreto, no nome popular, os arquivos são bem acessíveis, ainda que a partir de uma incrível burocracia.






